30 de Janeiro de 2017 / às 09:25 / 9 meses atrás

Eike embarca de volta ao Brasil para se entregar e promete "passar as coisas a limpo"

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O empresário Eike Batista embarcou na noite de domingo em Nova York para o Brasil e chegará na manhã desta segunda-feira ao Rio de Janeiro, onde irá se apresentar à Polícia Federal, disse à Reuters o advogado do empresário, que é considerado foragido desde a semana passada.

Empresário Eike Batista. 18/11/2014 REUTERS/Ricardo Moraes

Eike foi visto embarcando no aeroporto da cidade norte-americana e concedeu uma rápida entrevista à emissora de TV Globonews, na qual disse que está na hora de “passar as coisas a limpo”.

“Estou voltando e vou responder à Justiça, como é o meu dever”, disse. “O sentimento é que tem que se mostrar o que é, está na hora de eu mostrar e ajudar a passar as coisas a limpo”.

O empresário, que já foi um dos homens mais ricos do mundo, teve prisão decretado pela Justiça Federal e foi alvo de uma operação da PF em sua casa na semana passada, mas não foi localizado por ter viajado dois dias antes.

A PF chegou a incluir o nome do ex-bilionário na lista de fugitivos da Interpol.

Eike é acusado de ter pago propina de 16,5 milhões de dólares ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral em troca de obter vantagens para seus investimentos no Estado durante os dois mandatos de Cabral, que já está preso.

“O Eike chega às 10h40 e segue para a sede da Polícia Federal”, disse o advogado Fernando Martins à Reuters.

O empresário deve ser encaminhado ainda nesta segunda-feira para um presídio do Rio. Como não teria curso superior completo, Eike deve ficar em uma penitenciária comum do Estado.

“Não sabemos para onde ele será levado, isso depende das autoridades”, disse o advogado. Antes de seguir para o presídio, Eike terá de passar por todos os trâmites como fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal e apresentar seus documentos.

O mandado de prisão para Eike foi expedido pela Justiça Federal como parte da operação Eficiência, que investiga um esquema de corrupção liderado por Cabral que teria ocultado cerca de 100 milhões de dólares no exterior, de acordo com as investigações.

Eike era o homem mais rico do Brasil há menos de cinco anos, com fortuna calculada em cerca de 35 bilhões de dólares, mas foi fortemente atingido pela queda no boom das commodities e sofreu com o colapso de seu Grupo EBX, um conglomerado de companhias de mineração, energia, construção naval e logística.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier

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