8 de Fevereiro de 2017 / às 22:07 / 8 meses atrás

Espírito Santo terá mais tropas federais para conter violência durante greve de policiais

VITÓRIA (Reuters) - O governo do Estado do Espírito Santo receberá o reforço de 550 militares, após pedir, nesta quarta-feira, o envio de mais tropas federais para enfrentar uma onda de violência registrada em decorrência de uma greve de policiais, que em cinco dias já deixou mais de 80 mortes relatadas.

Soldados fazem segurança em praia de Vitória. 8/2/2017. REUTERS/Paulo Whitaker

O número de mortos, se confirmado, seria cerca de seis vezes maior que a taxa de homicídios no Estado registrada ao longo do ano passado.

Apesar da mobilização de mil soldados das Forças Armadas e de um contingente de 200 homens da Força Nacional, que chegaram ao Estado na segunda-feira, a violência continua se alastrando após a Polícia Militar iniciar uma greve no fim de semana por uma disputa sobre reajuste salarial.

Nesta quarta, o Ministério da Defesa anunciou que o Estado receberá reforço de 550 militares das Forças Armadas, além de mais 100 integrantes da Força Nacional de Segurança Pública. De acordo com nota, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que o governo federal atende aos pedidos do Espírito Santo “dentro da nossa capacidade” e “se forem necessários outros deslocamentos serão feitos”.

Mediante uma onda de assaltos, roubos e assassinatos, autoridades locais disseram precisar de centenas de tropas militares a mais para ajudar a compensar a média de 1.800 policiais que normalmente patrulham as ruas do Estado.

A greve, que tem participação de familiares e amigos de policiais que bloquearam acessos a batalhões, acontece à medida que o Espírito Santo, assim como outros Estados, enfrenta dificuldades financeiras para garantir serviços como saúde, educação e segurança.

O governador Paulo Hartung disse nesta quarta-feira que a greve, que fez com que escolas e hospitais fossem fechados e muitos moradores decidissem ficar em casa por medo da violência, é uma “chantagem”. Ele comparou a greve ao “sequestro da liberdade de cidadãos”, com cobrança de um “resgate”.

Autoridades do governo estadual não confirmaram o número crescente de mortes violentas, mas a mídia local relatou que mais de 80 pessoas morreram desde sábado.

A maior parte da violência está centrada na região metropolitana de Vitória, onde vivem cerca de dois milhões de pessoas.

Reportagem adicional de Paulo Prada e de Tatiana Ramil

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