23 de Fevereiro de 2017 / às 15:29 / 10 meses atrás

Nova fase da Lava Jato mira operadores financeiros do PMDB

SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal e o Ministério Público Federal lançaram nesta quinta-feira a 38ª fase da operação Lava Jato visando dois operadores financeiros que prestariam serviços para o PMDB, especialmente para senadores do partido, no esquema de corrupção na Petrobras, informaram os dois órgãos.

Agente da Polícia Federal visto durante operação no Rio de Janeiro. 30/01/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

Os dois operadores, Jorge Luz e seu filho Bruno Luz, tiveram prisão preventiva decretada, mas estão no exterior e tiveram seus nomes incluídos na lista de procurados da Interpol, sendo portanto considerados foragidos.

De acordo com os procuradores, Jorge e Bruno Luz movimentaram cerca de 40 milhões de dólares em pagamentos indevidos, que tiveram como destinatários funcionários da Petrobras e políticos peemedebistas, especialmente membros da bancada do partido no Senado.

“Os beneficiários eram diretores e gerentes da Petrobras e também pessoas com foro privilegiado, agentes políticos, relacionados ao PMDB”, disse o procurador Diogo Castor de Mattos, que integra a força tarefa da Lava Jato, a jornalistas em Curitiba.

“Há elementos que apontam que agentes políticos do Senado, ainda na ativa, foram beneficiários de parte desses pagamentos”, acrescentou.

Os nomes dos parlamentares que teriam recebido os recursos intermediados por Jorge e Bruno Luz não foram informados pelos procuradores e pelos policiais pois esses suspeitos têm prerrogativa de foro junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e só podem ser investigados pela Procuradoria-Geral da República.

O presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR) negou em nota que os alvos da operação desta quinta tenham relação com o partido.

“O presidente do PMDB, senador Romero Jucá, afirma que os envolvidos nesta operação não têm relação com o partido e nunca foram autorizados a falar em nome do PMDB”, segundo comunicado divulgado pelo parlamentar.

Também por meio de nota, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), “reafirma que a chance de se encontrar qualquer irregularidade em suas contas pessoais ou eleitorais igual a zero”.

“O senador reitera ainda que todas as suas relações com empresas, diretores ou outros investigados não ultrapassaram os limites institucionais”, disse Renan na nota.

Os operadores atuariam na diretoria internacional da Petrobras e são suspeitos de intermediar o pagamento de propinas na compra dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000, na operação do navio-sonda Vitória 10.000 e na venda, pela Petrobras, da Transener para a empresa Eletroengenharia, informou o Ministério Público.

Os dois investigados também atuavam, segundo os procuradores, de forma esporádica nas diretorias de Abastecimento e Serviços da estatal.

Além dos dois mandados de prisão preventiva, policiais federais também realizavam 15 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, de acordo com a PF.

“Os investigados responderão pela prática dos crimes de corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas, lavagem de dinheiro dentre outros”, informou a PF em nota. 

Esta fase da Lava Jato foi batizada de Blackout, em referência ao sobrenome dos acusados e para “demonstrar a interrupção definitiva  da atuação destes investigados como representantes deste poderoso esquema de corrupção”.

A operação teve como base principal depoimentos prestados em acordos de delação premiada reforçados, segundo o MPF, por informações documentais e provas obtidas em acordos de cooperação jurídica internacional.

Mattos justificou o pedido de prisão de Jorge e Bruno Luz pelo fato de já haver notícias de que ambos estavam fora do país.

“As prisões foram decretadas para garantia de ordem pública e para assegurar a aplicação da lei penal, tendo em conta a notícia que os investigados se evadiram recentemente para o exterior, possuindo inclusive dupla nacionalidade”, disse o procurador.

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