24 de Fevereiro de 2017 / às 23:08 / 8 meses atrás

Com Padilha sob pressão, Temer diz que pediu recursos legais à Odebrecht em 2014

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer afirmou nesta sexta-feira que pediu recursos à Odebrecht na campanha de 2014, em meio a declarações de seu amigo e ex-assessor especial José Yunes de que funcionou como uma espécie de “mula” para o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, na ocasião.

Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o presidente Michel Temer 25/08/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino

“Quando presidente do PMDB, Michel Temer pediu auxílio formal e oficial à Construtora Norberto Odebrecht”, afirma nota divulgada nesta tarde.

“Não autorizou, nem solicitou que nada fosse feito sem amparo nas regras da Lei Eleitoral. A Odebrecht doou 11,3 milhões de reais ao PMDB em 2014. Tudo declarado na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral. É essa a única e exclusiva participação do presidente no episódio”, acrescenta a nota da Presidência da República.

Yunes disse à mídia que funcionou como uma espécie de “mula” para Padilha, que tinha lhe pedido para receber documentos em seu escritório de advocacia. Segundo Yunes, ele recebeu um pacote, cujo conteúdo nunca soube qual era.

O advogado prestou depoimento ao Ministério Público Federal em função de delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho.

Segundo vazamento da delação, em dezembro, Melo Filho apontou que Yunes recebeu dinheiro vivo, parte de recursos que teriam sido solicitados por Temer ao então presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht.

O empreiteiro, ainda segundo o vazamento da delação, disse que pagaria 10 milhões de reais, sendo que 4 milhões de reais ficariam sob responsabilidade de Padilha. Melo Filho diz que um dos pagamentos foi feito na sede do escritório de advocacia de Yunes.

Segundo uma fonte do Planalto disse à Reuters, Temer acertou com Padilha que avaliaria a situação política do ministro nos próximos dias por conta das declarações de Yunes, mantendo, em princípio, o retorno de Padilha ao cargo em 6 de março, ao final de uma licença médica.

Para o Planalto, segundo a fonte, muita coisa ainda precisa ser explicada, mesmo porque Yunes falou que recebeu “pacote” e não que recebeu dinheiro.

Temer, acrescentou a fonte, não tem planos de tirar Padilha do cargo e tudo vai depender de como as coisas se desenrolarem e das explicações do ministro, que não vai se pronunciar agora.

Padilha foi para Porto Alegre onde se submeterá a uma cirurgia de próstata no final da semana ou na segunda-feira. No início da semana o ministro precisou ser hospitalizado em Brasília para tratar de uma obstrução urinária causada por uma hiperplasia prostática benigna --um alargamento da próstata que causa dificuldade em urinar.

Do lado de Temer, o presidente já havia se manifestado quando houve o vazamento da delação do ex-executivo da Odebrecht em dezembro. Na ocasião, divulgou nota em que repudiou “com veemência” o que classificou de “falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho”.

“As doações feitas pela Construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE. Não houve caixa 2, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente”, afirmou em nota na ocasião.

Reportagem de Lisandra Paraguassu

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