7 de Março de 2017 / às 14:27 / em 8 meses

Temer pede empenho da sociedade na reforma da Previdência para manter programas sociais

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer pediu nesta terça-feira o empenho da sociedade em apoio à reforma da Previdência, argumentando que sem sua aprovação o governo poderá enfrentar dificuldades para manter programas sociais voltados às camadas mais pobres da população.

Presidente Michel Temer 03/02/2017 REUTERS/Adriano Machado

Na avaliação do presidente, aqueles que mais reclamam da reforma da Previdência são os que têm uma renda maior, uma vez que a maioria dos brasileiros terá aposentadoria integral porque ganha o salário mínimo.

Temer afirmou, em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social no Palácio do Planalto, que a sociedade precisa “se conscientizar da indispensabilidade” da reforma previdenciária, e pediu a todos os setores que façam esclarecimentos sobre a importância da proposta.

“A reforma da Previdência há de ser algo que leve em conta o interesse do país, e não interesses políticos circunstanciais”, disse Temer em discurso de abertura do encontro. “Quando se faz oposição à reforma tem que se dizer qual é a solução, porque existe um déficit. É precioso trazer uma proposta.”

O presidente reconheceu que o projeto de reforma enviado pelo governo ao Congresso “pode merecer ajustamentos”, mas reiterou a defesa pela idade mínima de 65 anos, dizendo que o país tem uma nova realidade demográfica que não pode ser ignorada.

O texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) enviado pelo governo para reformar a Previdêncua tem encontrado resistência até mesmo de membros da base parlamentar de apoio a Temer, que tem defendido que o Legislativo altere o texto encaminhado pelo Executivo.

Diante da resistência a pontos polêmicos da reforma mesmo dentro da base, o governou fez uma reunião na noite de segunda-feira com Temer, ministros e líderes parlamentares traçar uma estratégia de negociação.

Segundo Temer, sem a aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso o governo poderá enfrentar dificuldades para financiar programas sociais voltados aos mais pobres, argumentando que não existem atalhos ou passes de mágica para se conseguir recursos.

“Nós estamos preocupados com o futuro daqueles que vão receber pensão, o futuro daqueles que hoje recebem pensão”, disse. “É preciso mudar e é urgente que se mude. Tudo isso é para preservar os mais carentes, os mais pobres”, afirmou.

Na semana passada, o PMDB, partido de Temer, usou seu perfil oficial no Facebook para dizer que, caso a reforma da Previdência não seja aprovada pelo Congresso, não haverá mais Bolsa Família e outros programas sociais.

No encontro do Conselho nesta quarta-feira, Temer reiterou que o objetivo fundamental do governo é o crescimento com o combate ao desemprego, e voltou a dizer que a inflação deve fechar o ano de 2017 abaixo do centro da meta de 4,5 por cento.

Reportagem de Marcela Ayres

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