March 7, 2017 / 7:43 PM / a year ago

Temer recua depois de pressão de Aloysio Nunes e Camex voltará para o Itamaraty

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer voltou atrás e decidiu devolver a Câmara de Comércio Exterior (Camex) ao Itamaraty, depois de veementes protestos do novo ministro, o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira, informaram à Reuters fontes governistas.

A decisão de tirar a Camex do controle do Itamaraty e devolver ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços havia sido tomada na semana passada pelo presidente Michel Temer, e o decreto foi publicado nesta terça-feira no Diário Oficial da União.

No entanto, a poucas horas da posse no Palácio do Planalto, Aloysio reuniu-se com Temer e com o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy —seu colega de partido— e exigiu o retorno da Camex, contou uma fonte palaciana. O senador chegou a dizer que não tomaria posse se a decisão não fosse revertida.

Responsável pela formulação e coordenação de partes essenciais da política de comércio exterior do governo, a Camex era historicamente ligada ao Mdic, mas foi repassada ao Itamaraty quando Temer assumiu o governo por exigência do ex-chanceler, José Serra, para aceitar a nomeação para o cargo.

Serra não abria mão de comandar a formulação da política de comércio exterior do país, e pediu a integração da Camex e da Agência de Promoção de Exportações (Apex) ao Itamaraty.

Com a saída do senador do ministério, o governo decidiu atender os pleitos do ministro da Indústria, Marcos Pereira, que reclamava do esvaziamento do seu ministério —o PRB, seu partido, tem 24 votos na Câmara dos Deputados. Aloysio, no entanto, só foi comunicado depois da decisão tomada.

Interessado em manter o foco da política externa no comércio exterior, o novo ministro não aceitou perder a Camex e Temer recuou da decisão. Um novo decreto deve ser publicado amanhã ou depois no Diário Oficial.

A decisão, no entanto, não resolve problemas apontados por empresários na Camex. De acordo com uma fonte governista, a decisão foi boa mas foi executada pela metade. Apenas o comando da Camex mudou para o Itamaraty. Os técnicos continuavam vinculados ao Mdic.

Nos meses em que esteve no Itamaraty, a Camex demorava para tomar decisões e perdia prazos. Um dos casos citados como emblemático é o de uma decisão para estender o direito antidumping contra a importação de sacos de juta para embalar café da Índia e de Bangladesh, em que a falta de um parecer quase fez a Camex perder o prazo de extensão e permitir, sem querer, que o país fosse inundado com material vendido abaixo do preço de custo.

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