13 de Março de 2017 / às 14:25 / 7 meses atrás

Deslizamento em aterro sanitário mata ao menos 50 na Etiópia

ADDIS ABEBA (Reuters) - Pais desesperados reviravam uma pilha gigantesca de lixo na capital da Etiópia nesta segunda-feira, gritando os nomes de crianças soterradas por um deslizamento ocorrido quando uma montanha de detritos desmoronou em um assentamento informal, matando ao menos 50 pessoas.

Escavadoras em aterro sanitário de Addis Ababa, na Etiópia, após deslizamento que deixou ao menos 50 mortos. 12/03/2017 REUTERS/Reuters TV

“Minhas crianças, minhas crianças, minha filhinha”, gritava um homem que perambulava pelo local com lágrimas escorrendo pelo rosto. Vizinhos disseram que ele perdeu quatro filhos.

O deslizamento, que aconteceu no final do sábado, ainda destruiu 49 moradias e feriu 28 pessoas, disse o porta-voz da prefeitura, Amare Mekonen.

Centenas de pessoas moram no aterro de Reppi em busca de alimentos e de itens que possam vender, como metal reciclável. O local existe há 50 anos e é o único do tipo em Addis Abeba.

A tragédia sublinha a pobreza desesperadora que vitima muitas famílias etíopes, apesar do crescimento econômico acelerado do país e de medidas governamentais para posicionar a nação do leste africano como uma potência regional.

Nesta segunda-feira equipes de resgate usaram escavadoras para retirar pilhas de lixo enquanto pessoas se reuniam no local, chorando e rezando. Algumas remexiam os restos com as próprias mãos.

A multidão viveu um momento de horror quando um corpo foi desenterrado e levado embora envolto em um lençol. Mais cedo, moradores se voltaram com raiva contra os jornalistas que filmavam o cenário do desastre, afastando-os com pedras.

Meselu Damte, vizinho do homem em prantos, disse ter perdido a esposa e quatro filhos.

“Os corpos deles foram encontrados de manhã”, contou. “Ainda há casas a ser encontradas, e muitos de meus vizinhos estão dentro”.

A Etiópia é uma das economias que crescem mais rapidamente na África, em grande parte devido a investimentos incentivados pelo governo, mas o ímpeto de industrialização também vem alimentando o descontentamento entre os que ficam para trás.

Por Katharine Houreld

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