6 de Abril de 2017 / às 17:47 / em 6 meses

PF prende dirigentes de esportes aquáticos por suspeita de desvio de até R$40 milhões

(Reuters) - A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira três dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), incluindo o presidente afastado Coaracy Nunes, como parte de uma investigação sobre um suposto esquema de fraude com recursos públicos que pode ter desviado até 40 milhões de reais que deveriam ter sido destinados à preparação de atletas para competições.

Piscina dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos da Rio 2016 09/09/2016 REUTERS/Jason O'Brien

A operação, chamada Águas Claras, foi deflagrada após denúncias de atletas, ex-atletas e empresários do ramo esportivo brasileiro sobre irregularidades na gestão da confederação, de acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

Entre as supostas fraudes investigadas estão licitações para aquisição de equipamentos de natação no valor aproximado de 1,5 milhão de reais, que teriam sido fechados com empresa de fachada, e a contratação com suspeitas de irregularidade de agência de turismo que venderia passagens aéreas e hospedagens para os atletas com preços superfaturados.

“A operação apura ainda a suposta apropriação por parte dos dirigentes da CBDA de premiação de 50 mil dólares que deveriam ter sido repassados a atletas”, acrescentou o MPF em comunicado.

Foram expedidos pela Justiça quatro mandados de prisão preventiva, sendo que três tinham sido cumpridos até o início da tarde e um dirigente ainda estava sendo procurado.

A Justiça Federal também decretou duas prisões temporárias, a pedido do MPF. Todos são investigados pela suposta prática de organização criminosa, peculato, falsidade ideológica, fraude à licitação e sonegação fiscal, de acordo com comunicado da Justiça Federal em São Paulo.

“Segundo o MPF, o presidente da CBDA teria se associado a outros dirigentes e a particulares para a prática de atos ilícitos, bem como se apropriado e desviado verbas dos cofres da Confederação, oriundas de repasses do governo federal e empresas estatais, como os Correios”, informou a Justiça.

Foram cumpridos ainda quatro mandados de condução coercitiva contra empresários que participaram de licitações com indícios de irregularidades e 16 de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo, de acordo com as autoridades.

“Há indícios de um esquema de desvios de recursos públicos captados por meio de convênios e leis de fomento ao esporte, sem a devida aplicação --conforme previsto em lei e nos contratos assinados”, afirmou a Polícia Federal.

Segundo o inquérito policial, os valores eram “mal geridos ou desviados para proveito pessoal dos investigados”, acrescentou a PF, esclarecendo que, apesar de a CBDA ser uma entidade privada, a confederação recebe recursos públicos federais, portanto está submetida à Lei de Licitações e seus agentes são considerados funcionários públicos para efeitos penais.

Em setembro do ano passado, o Ministério Público Federal já havia apresentado à Justiça uma ação contra dirigentes da CBDA, incluindo Coaracy Nunes, por suspeita de fraude em licitação para a compra de itens esportivos.

Responsável por cinco modalidades olímpicas --natação, polo aquático, saltos ornamentais, nado sincronizado e maratona aquática--, a CBDA conquistou apenas uma medalha nos Jogos do Rio, um bronze com a nadadora Poliana Okimoto na maratona aquática.

Carro-chefe da confederação, a natação ficou sem medalhas em uma Olimpíada pela primeira vez desde os Jogos de Atenas 2004.

Coaracy Nunes, que dirige a CBDA desde 1988, foi afastado do cargo no mês passado pela Justiça como parte de uma ação sobre as eleições para o comando da entidade.

Procurado pela Reuters, o advogado da CBDA Marcelo Franklin não estava disponível de imediato para comentar a operação.

Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro

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