11 de Abril de 2017 / às 13:33 / em 6 meses

Candidato de extrema-esquerda cresce em meio a aumento de hostilidades entre presidenciáveis franceses

Candidado de extrema-esquerda das eleições presidenciais de 2017 da França, Jean-Luc Melenchon. 09/04/2017 REUTERS/Jean-Paul Pelissier/

PARIS (Reuters) - Uma nova pesquisa divulgada nesta terça-feira mostrou o azarão de extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon se aproximando dos favoritos na eleição presidencial francesa e ganhando terreno à medida que seus rivais mais bem colocados intensificam os ataques entre si.

Faltando só 12 dias para o primeiro turno, as sondagens estão mostrando uma corrida mais disputada e o segundo turno de maio, que há semanas parecia destinado a ser decidido entre a líder de extrema-direita Marine Le Pen e Emmanuel Macron, de centro, mais indefinido.

O candidato conservador François Fillon intensificou suas críticas a Macron, com quem compete pelos votos da centro-direita, chamando-o de mentiroso. Macron respondeu na Rádio Sud: “O senhor Fillon é um homem de pouco valor”.

Enquanto isso, o apoio a Mélenchon cresceu 7 pontos percentuais e chegou a 19 por cento das intenções de voto em uma pesquisa mensal da empresa Ifop-Fiducial para a revista Paris March e a Rádio Sud, colocando-o em terceiro lugar e à frente de Fillon.

Ele também está mirando os eleitores de Macron --mas desta vez aqueles da esquerda ou centro-esquerda.

Mélenchon e Fillon têm 19 por cento e 18,5 por cento das intenções, respectivamente, Le Pen lidera com 24 por cento e Macron vem logo atrás com 23 por cento, mas os dois favoritos estão perdendo fôlego.

A expectativa geral é que Macron derrote Le Pen se ambos forem para a votação decisiva de maio. A enquete ainda revelou que cerca de 32 por cento do eleitorado pode se abster no primeiro turno de 23 de abril.

O crescimento de Mélenchon nas pesquisas, o episódio mais recente de uma campanha eleitoral repleta de surpresas, preocupou os mercados financeiros e levou o diretor do grupo de lobby empresarial Medef, Pierre Gattaz, a emitir um alerta nesta terça-feira.

Classificando tanto o programa de Mélenchon quanto o de Le Pen de “uma catástrofe absoluta” para França, Gattaz expressou o temor de uma decisão entre os dois na rádio Europe 1.

“Este segundo turno Le Pen-Mélenchon não deveria ocorrer”, disse.

Embora Mélenchon seja o polo oposto de Le Pen no espectro político, em particular quanto à imigração, ambos desconfiam da União Europeia, querem renegociar o papel da França no bloco e convocar um referendo sobre a filiação do país à UE.

Uma pesquisa diária da Opinionway mostrou Macron vencendo o segundo turno de Le Pen e Mélenchon terminando o primeiro turno na quarta posição, atrás de Fillon.

Por Sarah White, Sophie Louet e Helene Dauschy

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