19 de Abril de 2017 / às 11:21 / 8 meses atrás

PF investiga suspeita de fraude na compra de ações do Banco Panamericano pela Caixa

(Reuters) - A Polícia Federal lançou operação nesta quarta-feira para investigar suspeita de fraude na compra de ações do Banco Panamericano pela Caixa Participações, com o cumprimento de 46 mandados de busca e apreensão e bloqueio de 1,5 bilhão de reais de contas de suspeitos determinado pela Justiça Federal, informou a PF.

Banco da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro. 20/08/2014 REUTERS/Pilar Olivares/File Photo

O inquérito investiga a responsabilidade de gestores da Caixa na suposta gestão fraudulenta, com possíveis “expressivos prejuízos ao erário federal”, segundo comunicado.

A investigação apura as ações que culminaram com a compra e venda de ações do Banco Panamericano pela Caixa Participações, em 2009, com a posterior compra e venda de ações significativas do Panamericano pelo Banco BTG Pactual, acrescentou a polícia.

A PF mobilizou cerca de 200 agentes para cumprir os mandados de busca e apreensão expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Londrina.

As investigações policiais identificaram três núcleos do esquema criminoso, sendo um formado por agentes públicos, outro por consultorias e o núcleo de empresários.

Os agentes públicos eram responsáveis pela assinatura de documentos, como pareceres e contratos, enquanto as consultorias eram contratadas para emitir pareceres para legitimar os negócios, e os empresários contribuíam para os crimes mediante a situação de suas empresas e a necessidade de dar aparência de legitimidade aos negócios, segundo a PF.

A Polícia Federal não identificou os alvos dos mandados judiciais.

A Caixa comprou, em dezembro de 2009, 49 por cento do capital votante e 20,7 por cento das ações preferenciais do Panamericano por 739,2 milhões de reais. No início de 2011, o BTG Pactual comprou o controle do Panamericano por 450 milhões de reais ao adquirir a totalidade da participação do Grupo Silvio Santos no banco.

Procurados pela Reuters, a Caixa e o BTG Pactual não responderam de imediato a pedidos de comentários.

Os investigados responderão, de acordo com suas participações, por suspeita de gestão temerária ou fraudulenta, além de outros crimes que possam vir a ser descobertos, disse a PF. As penas para esses crimes podem chegar a 12 anos de reclusão.

A operação foi intitulado pela PF de Conclave, em razão da forma sigilosa com que foram tratadas as negociações para a transação ocorrida entre o Banco Panamericano e a Caixa Participações, em referência ao ritual ocorrido a portas fechadas no Vaticano para escolha do papa, informou a PF.

Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro; reportagem adicional de Ana Mano, em São Paulo

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