10 de Maio de 2017 / às 23:52 / 5 meses atrás

Lula nega a Moro aquisição de tríplex e chama processo de ilegítimo e denúncia de farsa

CURITIBA (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, que não há pergunta difícil quando se diz a verdade e afirmou que “nunca houve a intenção de adquirir” o tríplex no Guarujá (SP), um dos objetos do processo no qual é réu.

Lula durante ato em Curitiba 10/5/2017 REUTERS/Paulo Whitaker

“Não tem pergunta difícil, doutor. Quando se fala a verdade, não tem pergunta difícil”, afirmou Lula no depoimento de cerca de cinco horas.

No depoimento, Lula também disse considerar o processo ilegítimo e a denúncia formulada pelo Ministério Público, e aceita por Moro, de uma “farsa”.

“Como eu considero esse processo ilegítimo e a denúncia uma farsa, eu estou aqui em respeito à lei , em respeito à nossa Constituição, mas com muitas ressalvas ao comportamento dos procuradores da Lava Jato”, disse.

Segundo a acusação, o tríplex teria sido dado a Lula pela empreiteira OAS em troca de contratos com a Petrobras.

O imóvel teria sido reformado e eletrodomésticos teriam sido adquiridos para atender à família do ex-presidente. Os procuradores também afirmam que a OAS pagou despesas de armazenamento de bens pessoais do acervo presidencial da época que Lula governou o país.

“Não havia no início e não havia no fim... nunca houve a intenção de adquirir o tríplex”, disse o ex-presidente, questionado sobre a intenção de sua falecida mulher, Marisa Letícia, comprar o apartamento quando adquiriu a cota da cooperativa dos bancários Bancoop.

“Eu tomei conhecimento desse apartamento em 2005 e fui voltar a discutir esse apartamento em 2013, só isso”, continuou. “Somente em 2013 é que fui ver esse tal tríplex”, disse.

“Eu fui lá ver o apartamento, coloquei 500 defeitos no apartamento, voltei e nunca mais conversei com o Léo sobre o apartamento”, acrescentou, referindo-se ao ex-presidente da OAS Léo Pinheiro.

Lula disse ter ficado sabendo que sua mulher chegou a visitar o imóvel uma segunda vez, em 2014. “Dona Marisa tinha uma coisa importante, ela não gostava de praia, nunca gostou. Certamente, ela queria o apartamento para investimento.”

No depoimento, o ex-presidente também disse que era sua mulher que era responsável por cuidar das questões envolvendo a cota da Bancoop que ela adquiriu e que não sabia quanto havia sido pago desta cota.

“Quem cuidava do apartamento era a Dona Marisa. Então não sei quanto pagou, se terminou em 2007, 2008, 2009, 2010”, disse.

“Vou apenas repetir se quiser, até para economizar tempo, que a minha relação com o famoso apartamento da Bancoop é de quando a minha mulher comprou, que foi (declarado no) Imposto de Renda, à primeira visita do Léo para me falar que eu tinha que visitar o apartamento porque estava terminando o prédio.”

Sobre a armazenagem dos bens pela OAS, Lula disse que não acompanhava o assunto.

“Eu nunca entrei nos porões do (Palácio da) Alvorada para saber se tinha uma, duas ou mil caixas. Nunca entrei no acervo da Presidência para saber se tinha caixas, é uma coisa privada mas que tem interesse público”, disse.

“Eu, se soubesse que ia dar isso, teria deixado no palácio para o próximo presidente cuidar”, negando que soubesse que a armazenagem seria custeada pela OAS.

VÍTIMA

No início da audiência, Moro negou qualquer divergência pessoal com o ex-presidente.

“Eu queria deixar claro que, em que pese algumas alegações neste sentido, da minha parte não tem qualquer desavença pessoal em relação ao senhor ex-presidente. O que vai determinar o resultado desse processo no final são as provas que vão ser colecionadas e a lei”, disse.

O juiz negou também que houvesse a intenção de mandar prender o ex-presidente durante o ato processual.

“Houve alguns boatos que haveria a possibilidade de ser decretada a sua prisão durante este ato e isso são boatos que não têm qualquer fundamento”, disse Moro.

Já no final do depoimento, procurou dar um tom mais político a suas declarações, dizendo que está sendo julgado pelo que fez no governo.

“Eu gostaria de dizer que eu estou sendo vítima da maior caçada jurídica que um presidente e um político brasileiro já teve”, disse Lula em suas considerações finais. “Estou sendo julgado pelo que fiz no governo.”

A defesa do ex-presidente afirmou a jornalistas, após o término do depoimento, que ficou claro que Lula é inocente e que não foram apresentadas provas sobre a propriedade do apartamento.

“O que se conseguiu garimpar de prova incriminadora foi nada. Depois que ficou claro que o presidente é inocente, tentou se questionar sobre a política de governo que o presidente fez no país”, disse o advogado Cristiano Zanin Martins.

“Isso é um gesto político. As perguntas feitas não são de um processo jurídico e judicial, mas julgam avaliar suas políticas de governo”, disse o advogado.

Com reportagem de Eduardo Simões em São Paulo

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