11 de Maio de 2017 / às 01:32 / em 7 meses

Lula confirma a Moro ter perguntado a Duque sobre contas no exterior

(Reuters) - Em depoimento ao juiz Sérgio Moro em processo no qual é réu, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ter tido uma reunião com o ex-diretor da Petrobras Renato Duque em 2014, quando a operação Lava Jato já estava em curso, no qual perguntou a ele se mantinha uma conta no exterior.

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega para depor ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba 10/05/2017 REUTERS/Nacho Doce

A fala do ex-presidente ratifica depoimento prestado na sexta-feira passada por Duque, no qual ele relatou ter tido esse encontro com Lula para falar sobre suspeita de contas no exterior.

O encontro com Duque, segundo Lula, foi intermediado pelo ex-tesoureiro do PT João Vaccari. O ex-diretor, contudo, negou a Lula manter conta fora do país na ocasião.

“Eu disse que tinha muito boato de que tava sendo roubado dinheiro, que o Duque tinha conta no exterior. E eu falei para o Vaccari, se tu conhece o Duque eu gostaria de falar com ele. Duque é o seguinte: você tem conta no exterior? Não tenho, acabou. Para mim era o que interessava”, disse Lula a Moro.

O juiz perguntou a Lula porque procurou especificamente Duque e não outros diretores da estatal.

“Porque o Duque tinha sido indicado pela bancada do PT. Como eu disse no começo, o PT indicou o Duque. Então eu fiquei muito p... da vida, muito p..., e falei e ele disse que não. Se ele disse que não, ele não mentiu para mim, ele mentiu para a consciência dele”, respondeu Lula.

No depoimento da semana passada, Duque disse que Lula tinha “pleno conhecimento” e “comando” do esquema de corrupção dentro da estatal. Na versão de Duque, condenado na Lava Jato que destacou estar disposto a firmar um acordo de delação premiada, Lula disse-lhe que ele não poderia manter uma conta no exterior com recursos provenientes do esquema de corrupção da Petrobras.

Nesta quarta-feira, Lula negou que soubesse do esquema de corrupção da estatal.

“Se em algum momento um dos 204 milhões de brasileiros dissesse que havia um esquema de corrupção, toda a diretoria seria mandada embora”, disse.

Por Ricardo Brito, em Brasília; Edição de Alexandre Caverni

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