1 de Junho de 2017 / às 20:51 / em 5 meses

Surpresa negativa com investimento no 1º tri atrapalha recuperação da economia no ano, dizem analistas

SÃO PAULO (Reuters) - O salto de 1 por cento do PIB no primeiro trimestre não deve servir de referência para a economia brasileira no curto prazo, que vai voltar a mostrar recuperação lenta devido à fraqueza dos investimentos, em um cenário já repleto de incertezas diante da grave crise política.

Para boa parte de analistas consultados pela Reuters nesta quinta-feira, o recuo de 1,6 por cento na Formação Bruta da Capital Fixo --uma medida de investimento produtivo-- entre janeiro e março passados foi uma surpresa, o que acabou jogando um balde de água fria nas expectativas que se mostravam um pouco mais otimistas. Este foi o terceiro trimestre de contração.

“Ninguém pensa em acelerar investimento no meio de tanta incerteza política, especialmente porque o cenário de atividade e mercado de trabalho será negativamente impactado (por isso)”, afirmou o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.

“Está montado um cenário de crescimento zero ou possível recessão novamente (para 2017)”, acrescentou Vale, que chegou a projetar expansão de 1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no início deste ano.

O cenário político virou de ponta-cabeça em meados de maio, quando vieram à tona delações de executivos do grupo J&F que acertaram em cheio o presidente Michel Temer, que passou a ser alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, entre outros crimes.

Com isso, o andamento das reformas da Previdência e trabalhista no Congresso Nacional foram colocadas em xeque, outro fator que pode atingir o ímpeto dos empresários e retardar ainda mais investimentos.

“A queda do investimento não estava no nosso radar. A nossa expectativa era de ligeiro crescimento (de 0,6 por cento no trimestre passado)”, disse a economista e sócia da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, para quem os investimentos devem ficar estagnados neste ano, após revisar nesta quinta-feira a projeção de expansão de 2 por cento.

A recuperação dos investimentos é considerada fundamental para a retomada mais consistente da economia, e a própria equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendia que a economia brasileira iria se recuperar puxada pelos investimentos.

O mau desempenho no início deste ano fez com que a taxa de investimento do país ficasse em 15,6 por cento do PIB, a menor para um primeiro trimestre desde 1996.

Nesta manhã, foi divulgado que a economia brasileira avançou 1 por cento no primeiro trimestre, interrompendo oito trimestres seguidos de contração, puxada pela forte expansão do setor agropecuário.

“Há razões para comemorar o resultado do PIB, mas de forma bastante cautelosa. A melhora da economia ainda não veio”, afirmou o economista do banco Santander Rodolfo Margato. Para ele, a recuperação do investimento deve ocorrer, mas em um ritmo mais lento.

“A expectativa para este ano era de alta de 3 por cento, mas existe viés de baixa para este número, que pode até ficar próximo de zero”, acrescentou.

Por ora, os analistas estimam ligeiro crescimento para a economia brasileira neste ano. Pesquisa Focus do Banco Central, que colhe avaliação de uma centena de economistas todas as semanas, mostra projeção de expansão de apenas 0,49 por cento do PIB neste ano, acelerando a 2,49 por cento em 2018.

A crise política não tem sido o único entrave para a retomada dos investimentos. As empresas também estão com elevada capacidade ociosa, ou seja, ainda podem produzir sem fazer novos investimentos. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a utilização da capacidade instalada estava em 76,7 por cento em abril.

“O desempenho da produção de máquinas e equipamentos para o setor de bens de capital, que é um indício do comportamento do investimento, continua em retração”, afirma o economista da Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin.

Embora os investimentos estejam em queda, o quadro já foi mais dramático. Na comparação com o primeiro trimestre de 2016, a queda registrada foi de 3,7 por cento. No quarto trimestre de 2015, por exemplo, a o recuou foi de 18,7 por cento.

Edição de Patrícia Duarte e Maria Pia Palermo

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