6 de Junho de 2017 / às 13:21 / em 4 meses

PF prende ex-ministro Henrique Eduardo Alves por desvios em estádio da Copa e na Caixa

Ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves, em Brasília. 14/12/2015.REUTERS/ Ueslei Marcelino

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) - A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira o ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB) em operação deflagrada para investigar desvio de 77 milhões de reais na construção do estádio de Natal para a Copa do Mundo de 2014 e suspeita de corrupção também na Caixa Econômica Federal.

A investigação, desdobramento da operação Lava Jato, descobriu suspeita de solicitação e o efetivo recebimento de vantagens indevidas por dois ex-parlamentares cujas atuações políticas favoreceriam duas grandes construtoras envolvidas na construção do estádio, de acordo com comunicado da PF.

Além de prender Henrique Eduardo Alves, a operação tem como alvo o também ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), que já está preso pela Lava Jato mas é alvo de novo mandado de prisão, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Os dois ex-deputados são investigados, além da questão do estádio de Natal, por suspeita de desvios de recursos do FI-FGTS, administrado pela Caixa, tendo como base informações fornecidas por executivos da Odebrecht em acordo de delação premiada.

Procuradores afirmaram que há elementos que demonstram que os investigados cometeram crimes de corrupção e lavagem de dinheiro mesmo com as investigações em andamento, agindo para ocultar ativos no valor de mais de 20 milhões de reais que teriam sido recebidos por Cunha.

“As prisões são mencionadas como uma forma de suspender a chamada atuação delitiva habitual e impedir a ocultação do produto dos crimes, já que este ainda não foi recuperado”, informou a Procuradoria da República no Distrito Federal em comunicado.

A PF informou em nota oficial que cumpre no total cinco mandados de prisão preventiva, seis mandados de condução coercitiva e 22 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio Grande do Norte e Paraná como parte da operação.

“A partir das delações premiadas em inquéritos que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal), e por meio de afastamento de sigilos fiscal, bancário e telefônico dos envolvidos, foram identificados diversos valores recebidos como doação eleitoral oficial, entre os anos de 2012 e 2014, que na verdade consistiram em pagamento de propina”, informou a PF, acrescentando que os investigados responderão pelos crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

ALIADO DE TEMER

Henrique Eduardo Alves, que era aliado próximo ao presidente Michel Temer, foi ministro do Turismo da ex-presidente Dilma Rousseff e voltou a ocupar o cargo no governo Temer, mas pediu demissão do posto em meio à citação de seu nome por um delator da Lava Jato.

Ao lado de Cunha, ele se tornou réu na Justiça Federal do Distrito Federal em outubro do ano passado por suspeitas de irregularidades envolvendo a Caixa. Recentemente, Henrique Eduardo Alves voltou a ter seu nome citado na delação de executivos da JBS.

A operação desta terça-feira, deflagrada pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal, recebeu o nome Manus, em referência, segundo a PF, a provérbio latino “Manus Manum Fricat, Et Manus Manus Lavat”, que significa “uma mão esfrega a outra, uma mão lava a outra”.

No mês passado, a PF prendeu dois ex-governadores do Distrito Federal e um ex-vice-governador que era assessor especial de Temer em operação para investigar suspeita de desvio de recursos das obras do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, para a Copa do Mundo, com superfaturamento de até 900 milhões de reais.

Os dois estádios estão entre sete arenas do Mundial sob suspeita de irregularidades com base em delações de executivos de empreiteiras investigadas na operação Lava Jato. Além deles, também são investigadas as obras na Arena Corinthians, em São Paulo; na Arena Pernambuco, em Recife; na Arena Castelão, em Fortaleza; na Arena Amazônia, em Manaus; e no Maracanã, no Rio de Janeiro.

Não foi possível fazer contato com as defesas de Cunha e Henrique Eduardo Alves de imediato. A Caixa não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre a operação.

Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro, e Lisandra Paraguassu, em Brasília

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