8 de Junho de 2017 / às 18:12 / em 4 meses

Polícia do Rio cumpre mandados em Furnas em investigação sobre corrupção

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriram na manhã desta quinta-feira mandados de busca e apreensão na sede da estatal Furnas, empresa do grupo Eletrobras , como parte de uma investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro, em desdobramento da operação Lava Jato.

Vista geral de uma hidrelétrica de Furnas. 14/01/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

Os crimes investigados estão ligados a negócios relativos à usina hidrelétrica de Serra do Facão, em Goiás, e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB), que já está preso em Curitiba no âmbito da Lava Jato, seria um dos envolvidos, de acordo com a polícia.

A Polícia Civil informou que foram expedidos 33 mandados de busca e apreensão contra envolvidos em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro a serem cumpridos tanto no Rio como em São Paulo. Agentes da polícia chegaram no início da manhã à sede de Furnas, na zona sul do Rio de Janeiro, em busca de documentos que possam comprovar as irregularidades investigadas.

“A investigação tem por base inquérito oriundo de delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral, que noticia esquema de corrupção e lavagem de dinheiro em Furnas”, disse a Polícia Civil em nota.

Segundo as investigações da polícia, as irregularidades que foram alvo da operação desta quinta-feira ocorreram em operações de compra e venda de participação na hidrelétrica Serra do Facão. Em 2008, Furnas comprou por aproximadamente 80 milhões de reais uma participação na usina que havia sido negociada cerca de seis meses antes por 7 milhões de reais.

O ex-deputado Eduardo Cunha, de acordo com as apurações, atuou como parlamentar na aprovação de uma medida provisória para viabilizar a compra superfaturada feita por Furnas. “O deputado Eduardo Cunha fez uma emenda à MP sob encomenda”, disse a delegada da área fazendária da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Ana Paula Costa.

Além de Cunha, partidos políticos também poderiam ter envolvimento em irregularidades em Furnas, segundo a polícia. “Ainda é prematuro falar e não sabemos qual o nível de comprometimento, mas no termo de delação do ex-senador Delcídio Amaral são apontadas diversas pessoas ligadas a diversos partidos como PT, PP e PSDB”, afirmou a delegada.

A Eletrobras afirmou em nota que Furnas que está colaborando com as investigações e providenciando os documentos solicitados pela Polícia Civil.

A estatal elétrica lembrou que contratou o escritório Hogan Lovells US LLP para promover uma investigação interna independente com o objetivo de avaliar a existência de potenciais irregularidades.

“A investigação independente, supervisionada por uma Comissão Independente para Gestão da Investigação, continua realizando procedimentos adicionais com o intuito de melhorar os controles internos das Empresas Eletrobras e verificar e acessar qualquer informação adicional que venha a ser divulgada como parte ou em razão dos desdobramentos da operação Lava Jato”, afirmou.

A Eletrobras reforçou que é a principal interessada na elucidação de todos os fatos.

Por Rodrigo Viga Gaier; Reportagem adicional de Marta Nogueira

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below