20 de Junho de 2017 / às 18:26 / 4 meses atrás

REEDIÇÃO-Comissão do Senado impõe derrota ao governo e rejeita parecer da reforma trabalhista

(Corrige partido do senador Otto Alencar para PSD, em lugar de PSDB)

Presidente Michel Temer. 10/05/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado rejeitou nesta terça-feira o parecer oficial do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), impondo uma derrota inesperada ao governo com a participação de integrantes da base aliada, num momento em que o presidente Michel Temer busca demonstrar força no Congresso diante da grave crise política que enfrenta.

No lugar do texto defendido pelo governo, a CAS aprovou o voto em separado do senador de oposição Paulo Paim (PT-RS).

Longe de Brasília, em viagem oficial à Rússia, Temer procurou minimizar a derrota sofrida e garantiu que a reforma será aprovada pelo plenário do Senado.

“Não é surpresa negativa não, isso é assim mesmo, tem várias fases, varias etapas, e nas etapas você ganha uma, ganha outra, perde outra, o que importa é o plenário”, disse o presidente a jornalistas em Moscou.

“Está certíssimo no plenário, o governo vai ganhar no plenário”, prometeu.

O constrangimento trazido pela rejeição do relatório oficial, por 10 votos a 9, não deve interferir na tramitação da medida. Permanece o plano de apresentação de um parecer pela constitucionalidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa na quarta-feira, e sua votação na próxima semana, deixando a proposta pronta para o plenário a partir do dia 28.

Tanto o relator Ferraço quanto o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), creditaram a rejeição desta terça-feira a fatores pontuais entre governistas.

Segundo Jucá, o placar refletiu uma “distorção” causada em parte pela ausência do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), permitindo que o senador Otto Alencar (PSD-BA), que já vinha se posicionando contra a reforma, votasse em seu lugar.

Outros integrantes da base que votaram pela rejeição da proposta foram os senadores Hélio José (PMDB-DF), ligado ao movimento sindical, e Eduardo Amorim (PSDB-SE), que teria votado “não” por questões pessoais, de acordo com Jucá.

A expectativa do governo era de aprovação da reforma por 11 votos a 9.

“Não ficou recado nenhum”, disse Jucá ao ser questionado sobre a sinalização da votação. “A posição individual de senadores que deu esse resultado, a gente respeita.... mas o recado continua sendo que é importante aprovar a reforma trabalhista.”

“Essas posições individuais terminaram distorcendo um resultado que é a maioria do plenário”, acrescentou Jucá, negando que o placar desta terça possa interferir no clima da votação em plenário na próxima semana.

Ferraço também ressaltou que na prática a proposta segue o trâmite normal, mas reconheceu que foi ”uma péssima sinalização para o governo”.

“Evidentemente é uma derrota política do governo... o governo não conseguiu articular os senadores para aprovar a matéria na CAS”, disse o senador. Para ele, esse revés pode interferir no posicionamento de senadores em plenário.

Os mercados financeiros reagiram mal à notícia. O dólar ampliou a alta a cerca de 1,5 por cento, encostando em 3,35 reais após a rejeição do parecer de Ferraço pela CAS. Já o principal índice de ações do país, o Ibovespa acentuou a queda para 1,5 por cento.

Edição de Alexandre Caverni

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