30 de Junho de 2017 / às 17:39 / 4 meses atrás

Dallagnol diz que indicação de Raquel Dodge para PGR respeitou Ministério Público

Procurador da República Deltan Dallagnol durante evento em Brasília 20/03/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, disse nesta sexta-feira que a indicação pelo presidente Michel Temer da subprocuradora Raquel Dodge para o posto de procuradora-geral da República respeitou o Ministério Público Federal (MPF), pois o presidente escolheu um dos nomes eleitos para a lista tríplice da categoria.

Raquel Dodge ficou em segundo lugar na eleição interna dos procuradores da República, atrás de Nicolao Dino e à frente de Mario Bonsaglia.

O presidente pode indicar o procurador-geral livremente, sem levar em conta a lista tríplice eleita pelos procuradores, mas em seu primeiro mandato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou a tradição de indicar o mais votado pela categoria, que foi seguida por sua sucessora Dilma Rousseff.

Temer quebrou essa tradição, mas indicou um dos nomes da lista tríplice que saiu da eleição organizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). O nome da subprocuradora terá agora terá agora de ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e aprovado tanto pela comissão quanto pelo plenário da Casa.

“O presidente Michel Temer acabou respeitando a lista tríplice dos procuradores da República, algo que achamos que deveria ser feito e foi feito”, disse Dallagnol em palestra no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

“Se preservou o éthos (conjunto de costumes) da instituição, a visão das instituição sobre os rumos do Ministério Público. A subprocuradora Raquel Dodge tem um histórico respeitável na instituição e recebeu a confiança de grande parte de nossos colegas”, acrescentou.

Dalagnol fez uma longa palestra de quase três horas para um público formado por advogados, juízes, desembargadores , juristas e outros

Na longa explanação, apresentou detalhes sobre as investigações da Lava Jato e afirmou que ela não é um fim em si mesmo, mas um ponto de partida para mudanças na sociedade brasileira. O procurador defendeu a aprovação de uma reforma política no país como um caminho para se tentar diminuir os casos de corrupção e caixa dois no Brasil.

“Temos mais de 500 mil candidatos em uma eleição e isso é infiscalizável. Temos o maior número de partidos do mundo e temos que reduzir os gastos para campanhas... dos 513 deputados, só 35 foram eleitos com votos próprios. Temos que corrigir o sistema proporcional no Brasil”, defendeu.

Dallagnol saiu em defesa da Lava Jato e negou mais uma vez que houve uma seletividade nas apurações e denúncias dos procuradores. Segundo ele, a visão da seletividade foi construída por políticos alvos das investigações.

“Há um série de acusações irresponsáveis feitas por agentes públicos sem nenhuma prova até agora”, disse.

”Temer, Cunha e Lula se unem quando se dizem vítimas de perseguição política diante de fatos graves e não há o que fazer”, avaliou.

Lula é réu em três ações penais no âmbito da Lava Jato, enquanto o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já foi condenado e está preso em Curitiba por conta da operação e Temer foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República e responde a inquérito em um desdobramento da delação premiada de executivos da JBS na Lava Jato.

Os três negam quaisquer irregularidades e criticaram os autores das acusações.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier

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