3 de Julho de 2017 / às 22:39 / em 4 meses

Ex-ministro Geddel Vieira Lima é preso pela PF por tentar atrapalhar investigações

BRASÍLIA (Reuters) - O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi preso pela Polícia Federal nesta segunda-feira em Salvador, por decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira do Tribunal Regional Federal, em Brasília, dentro da operação Cui Bono, que investiga irregularidades na Caixa Econômica Federal.

Ex-ministro Geddel Vieira Lima 17/05/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino

De acordo com o Ministério Público Federal, a decisão foi tomada a pedido da Polícia Federal e da força tarefa da operação Greenfield --também responsável pela Cui Bono, que investiga Geddel por liberações fraudulentas de recursos quando era vice-presidente de pessoa jurídica do banco. Geddel é acusado de tentar interferir nas investigações.

A prisão do ex-ministro Geddel é preventiva e tem como base os depoimentos do operador financeiro Lúcio Funaro, do executivo da JBS Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva.

“No pedido enviado à Justiça, os autores afirmaram que o político tem agido para atrapalhar as investigações. O objetivo de Geddel seria evitar que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o próprio Lúcio Funaro firmem acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF). Para isso, tem atuado no sentido de assegurar que ambos recebam vantagens indevidas, além de ‘monitorar’ o comportamento do doleiro para constrangê-lo a não fechar o acordo”, disse o MP em nota.

Em sua decisão, Vallisney fundamentou a prisão preventiva em três aspectos principais.

O primeiro refere-se ao fato de que, mesmo fora da Caixa, Geddel continuou a ter influência no banco, tendo prosseguido em “negociações ilícitas” nele. O segundo está relacionado ao pagamento de 20 milhões de reais feitos por Lúcio Funaro a Geddel, a pedido de Joesley Batista da J&F.

O terceiro ponto, classificado pelo juiz de “fundamental” e “gravíssimo”, refere-se às sondagens que ele fez à mulher de Funaro a fim de saber se ele iria fechar uma delação premiada.

Geddel é acusado, na operação Cui Bono, de agir para garantir a liberação de recursos da Caixa em troca de propinas, em um esquema que envolveria também o deputado cassado Eduardo Cunha, além do próprio Funaro e do ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto.

Em seu depoimento à Polícia Federal, há duas semanas --dentro do processo que investiga o presidente da República, Michel Temer, por obstrução à Justiça-- Funaro afirmou que Geddel procurou sua mulher, Raquel, várias vezes depois da divulgação de que os donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, haviam feito um acordo de delação premiada.

Geddel, que aparece com o apelido “Carainho” no telefone de Raquel, fez pelo menos 12 ligações pelo aplicativo Whatsapp entre os dias 17 de maio e 1º de junho deste ano. A primeira delas logo depois da publicação das primeiras informações sobre a delação premiada dos executivos da JBS pelo jornal O Globo.

Segundo Funaro, a intenção do ex-ministro era saber se Funaro também negociava uma delação premiada. Preso desde junho de 2016, o operador financeiro, que trabalhava com a cúpula do PMDB, mudou recentemente de advogado e confirmou à PF que negocia a delação. Fontes afirmaram à Reuters que a negociação deve ser fechada nas próximas semanas.

Em sua decisão de 11 páginas, o juiz Vallisney disse que “em liberdade, Geddel Vieira Lima, pelas atitudes que vem tomando recentemente, pode dar continuidade a tentativas de influenciar testemunhas que irão depor na fase de inquérito da operação Cui Bono”.

Além da prisão preventiva, a Justiça acatou os pedidos de quebra de sigilos fiscal, postal, bancário e telemático do ex-ministro. O juiz, no entanto, rejeitou os pedidos para fazer uma busca e apreensão nos endereços residenciais do ex-ministro.

Há cerca de três semanas, quando começaram a correr boatos de que poderia ser preso, o ex-ministro ofereceu à Justiça seus sigilos fiscal e bancário, e a entrega de seu passaporte, em uma tentativa de evitar a prisão.

Reportagem adicional de Ricardo Brito

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