6 de Julho de 2017 / às 19:09 / em 4 meses

Grupo de trabalho da Lava Jato na PF em Curitiba passa a integrar delegacia de combate à corrupção

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo de trabalho da Polícia Federal dedicado exclusivamente à Lava Jato em Curitiba será incorporado pela Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor), informou a PF em nota nesta quinta-feira, na qual nega que a alteração afetará as investigações.

Viatura da Polícia Federal no Rio de Janeiro 28/07/2015 REUTERS/Sergio Moraes

“A medida visa priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário, uma vez que permite o aumento do efetivo especializado no combate à corrupção e lavagem de dinheiro e facilita o intercâmbio de informações”, afirmou a nota divulgada pela direção-geral da Polícia Federal em Brasília.

“O modelo é o mesmo adotado nas demais superintendências da PF com resultados altamente satisfatórios, como são exemplos as operações oriundas da Lava Jato deflagradas pelas unidades do Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo, entre outros”, acrescenta o documento.

De acordo com a PF, a iniciativa da integração partiu do delegado regional de combate ao crime organizado do Paraná, Igor Romário de Paula, coordenador da operação Lava Jato no Estado, e foi corroborada pelo superintendente regional da PF, delegado Rosalvo Franco.

A nova sistemática de trabalho reduzirá a carga de trabalho dos delegados atuantes na Lava Jato em função da incorporação de novas autoridades policiais, disse a Polícia Federal, acrescentando que cada delegado da Lava Jato possuía cerca de 20 inquéritos sob sua responsabilidade cada.

“O atual efetivo na Superintendência Regional no Paraná está adequado à demanda e será reforçado em caso de necessidade”, afirmou a PF.

O comunicado diz ainda que a Polícia Federal “reafirma o compromisso público de combate à corrupção, disponibilizando toda a estrutura e logística possível para o bom desenvolvimento dos trabalhos e esclarecimento dos crimes investigados”.

A mudança, que também afeta o grupo que era dedicado à operação Carne Fraca, acontece após a recente troca do ministro da Justiça. O presidente Michel Temer, que é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e que tem ministros e aliados investigados na Lava Jato, tirou Osmar Serraglio do comando da pasta, substituindo-o por Torquato Jardim.

Procurada, a força-tarefa do Ministério Público Federal que cuida da Lava Jato em Curitiba não se manifestou imediatamente sobre a decisão da PF.

Uma fonte ligada ao comando da Polícia Federal disse que a decisão foi tomada porque a quantidade de serviço para o grupo da Lava Jato no Paraná tem diminuído. A fonte disse ainda que outras superintendências da PF têm operações especiais e não contam com equipes específicas.

Por Eduardo Simões; Reportagem adicional de Lisandra Paraguassu, em Brasília, e Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro

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