July 20, 2017 / 4:04 PM / 7 months ago

Moro marca interrogatório de Lula em nova ação para 13 de setembro, mas permite videoconferência

(Reuters) - O juiz federal Sérgio Moro agendou nesta quinta-feira para 13 de setembro depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda ação em que o petista é réu no âmbito da operação Lava Jato, mas abriu a possibilidade de realização do interrogatório por videoconferência.

Moro, que já condenou Lula a 9 anos e 6 meses de prisão no caso envolvendo um tríplex no Guarujá (SP), citou em despacho “gastos necessários, mas indesejáveis, de recursos públicos com medidas de segurança” para o depoimento anterior do ex-presidente em Curitiba, ao oferecer à defesa de Lula a possibilidade de realização do novo interrogatório por videoconferência com a Justiça Federal de São Paulo.

O primeiro depoimento, em maio, foi cercado de expectativa e mobilizou manifestantes a protestar contra e a favor do ex-presidente em Curitiba. Um forte esquema de segurança foi montado para evitar confrontos, com um total de 1,7 mil policiais militares. Após o depoimento, Lula falou a milhares de simpatizantes numa praça no centro da cidade.

O ex-presidente é acusado nesta segunda ação de receber propinas da Odebrecht na forma de um terreno de 12,5 milhões de reais, que seria destinado à construção da sede do Instituto Lula em São Paulo, e de um apartamento cobertura vizinho ao que Lula mora em São Bernardo do Campo, avaliado em 504 mil reais.

O interrogatório foi marcado um dia após o Banco Central bloquear, por ordem de Moro, 606,7 mil reais do ex-presidente distribuídos por quatro contas bancárias, três apartamentos e um terreno em São Bernardo do Campo, além de dois automóveis, em mais uma decisão a atingir Lula.

O ex-presidente e seus advogados têm criticado repetidamente a atuação de Moro, e nesta semana Lula chegou a afirmar que o juiz se comporta como um czar, “sem respeitar o direito democrático, sem respeitar a Constituição”.

Além da pena de prisão, sem cumprimento imediato, no caso do tríplex, Moro também determinou a proibição de o ex-presidente exercer qualquer cargo público por 7 anos, o dobro do tempo de pena imposta pelo crime de lavagem de dinheiro.

No entanto, somente se a sentença for confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Lula estará impedido de ser candidato, e o ex-presidente anunciou após a condenação que buscará concorrer à Presidência no ano que vem pelo PT.

Além das duas ações com Moro, Lula é réu em outros três processos, um deles também relacionado à Lava Jato, mas que corre na Justiça Federal do Distrito Federal.

O ex-presidente e sua defesa negam as acusações e afirmam que Lula é alvo de perseguição política. Os advogados já anunciaram que irão recorrer da condenação.

Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro

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