2 de Agosto de 2017 / às 12:06 / em 5 meses

Câmara abre sessão para votar denúncia de corrupção contra Temer

BRASÍLIA (Reuters) - A Câmara dos Deputados iniciou na manhã desta quarta-feira a sessão que deve realizar a votação sobre a denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer com base nas delações premiadas de executivos da J&F, holding que controla a JBS.

Presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto 27/07/2017 REUTERS/Adriano Machado

A sessão foi aberta com a presença de apenas 63 deputados, em um plenário bastante vazio e sem a presença de integrantes da base aliada de Temer.

A oposição, que não registrou formalmente presença conforme estratégia decidida anteriormente, realizou um protesto no plenário com cartazes e gritos de “Fora Temer”.

O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA), exonerado nesta quarta-feira da Secretaria de Governo para retornar à Câmara, foi um dos que chegaram cedo ao plenário. Questionado sobre a expectativa do governo para a votação, Imbassahy disse apenas: “Vai ganhar fácil”.

O ministro do Meio Ambiente, Zequinha Sarney (PV-MA), outro dos 10 ministros exonerados pelo governo para voltar à Câmara para a votação desta quarta, também disse acreditar em uma vitória do governo, com o apoio de pelo menos 257 dos 513 deputados. “O sentimento é que a denúncia vai ser barrada”, disse.

Para que a votação no plenário da Câmara comece efetivamente é necessária a presença de 342 deputados, mesmo número de votos necessários para a Câmara autorizar o Supremo Tribunal Federal (STF) a julgar a acusação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer.

Na noite de terça-feira, a oposição dizia contar com a maioria dos deputados, embora ainda não tivesse angariado os 342 votos necessários para autorizar que o STF julgue a acusação.

O governo, por sua vez, se movimenta para tentar garantir o quórum e ainda virar votos de indecisos a favor do presidente.

Há expectativa de que Temer tenha capital político para sair vencedor da votação, mas o tamanho do apoio ao governo servirá como um termômetro para avaliar se o presidente terá força para seguir adiante com sua agenda de reformas.

Reportagem de Ricardo Brito

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