4 de Agosto de 2017 / às 16:08 / em 4 meses

Esporte olímpico busca sair de ressaca pós-Rio 2016 com reconstrução e novas modalidades

SÃO PAULO (Reuters) - Ainda de ressaca um ano depois da Rio 2016, o esporte olímpico do Brasil mira a retomada de patrocínios e incentivo a novas modalidades vencedoras, em meio a turbulências em algumas confederações que perderam a chance de desenvolvimento durante um ciclo de pesados investimentos pela realização da Olimpíada em casa.

Nos meses que se seguiram ao maior evento esportivo do mundo, os atletas do país encararam a realidade da falta de dinheiro e de visibilidade, enquanto duas das modalidades olímpicas mais tradicionais do país, basquete e natação, viveram um caos administrativo, com denúncias de irregularidades e má gestão.

“Nós perdemos uma grande oportunidade de massificar o esporte, democratizar o esporte e de tornar o esporte mais presente na vida do cidadão. Isso já foi perdido, e o que a gente quer no futuro é fazer com menos dinheiro o que não foi feito quando tinha mais dinheiro”, disse à Reuters o novo diretor de natação da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Renato Cordani.

Tanto as confederações quanto o Comitê Olímpico do Brasil (COB) estão em busca de novos patrocinadores visando os Jogos de Tóquio 2020. Por contrato, o COB esteve, no último ciclo, atrelado aos patrocínios do comitê organizador da Rio 2016. Quando encerrou o ciclo, o COB perdeu todos os patrocinadores.

Além disso, muitos atletas, incluindo medalhistas como o ginasta Arthur Zanetti, admitiram ter perdido apoio após a Rio 2016.

O diretor de esportes do COB, Agberto Guimarães, no entanto, tenta relativizar essas perdas de patrocínio.

“Independentemente de o Brasil ter sediado a última edição dos Jogos Olímpicos, é normal o primeiro ciclo do ano olímpico ter menos recursos, é um ciclo de baixa, em que os próprios patrocinadores que apoiaram no ciclo anterior também precisam ganhar um pouco de fôlego. Todo mundo tira um pouco o pé do acelerador para reestruturar os seus programas”, afirmou o Guimarães.

“Entre os atletas também é perfeitamente normal essa redução. A gente vai ver um novo crescimento a partir de 2018.”

Outros atletas, no entanto, como os medalhistas de ouro no Rio Thiago Braz e Rafaela Silva, mantiveram o aporte financeiro e incrementaram os ganhos com novas parcerias e palestras.

Há, ainda, uma boa expectativa para o futuro graças a resultados recentes, como o bom desempenho dos brasileiros no Mundial de natação, em julho, que animaram os dirigentes, depois que o Brasil passou em branco nas piscinas do Rio de Janeiro.

“A ótima repercussão dos resultados de Budapeste faz com que os patrocinadores procurem a gente”, disse o diretor de natação da CBDA.

NOVOS ALVOS

No ciclo olímpico para a Rio 2016, somente o COB investiu 700 milhões de reais nas modalidades, sem contar as verbas do Ministério do Esporte, Forças Armadas e clubes, mas o Brasil não atingiu a meta de ficar entre os 10 países com mais medalhas.

Ao conquistar 19 medalhas, sendo sete de ouro, seu recorde histórico, o país terminou em 13º lugar no quadro oficial de medalhas, que ordena os países pela quantidade de ouros, e em 12º no número total de medalhas.

O COB, no entanto, comemorou a maior quantidade de finais realizada e mira modalidades com alto potencial para os Jogos de Tóquio. Entre as citadas por Agberto Guimarães estão taekwondo, canoagem slalom, remo, boxe e uma modalidade que vai estrear em Olimpíadas, o caratê.

“A gente está dando continuidade ao bom trabalho feito no ciclo passado em algumas modalidades e estendendo esse trabalho para outras modalidade que despontaram como potencial para os Jogos de Tóquio”, afirmou o diretor do COB. “A gente ainda está conversando com algumas confederações na definição desse trabalho para o futuro.”

Uma confederação que já se planejou foi a do judô, esporte que tradicionalmente conquista medalhas olímpicas. Mesmo admitindo ter tido uma redução de receitas, já estava preparada para isso.

“O planejamento para Tóquio 2020 começou em 2015, quando demos início ao Projeto Ohayou, que visa à renovação e desenvolvimento da equipe olímpica. Aproveitamos a onda de investimentos da Rio 2016 para dar início ao processo rumo a Tóquio”, disse o gestor de Alto Rendimento da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Ney Wilson.

PRISÕES E “DESASTRE”

Enquanto algumas modalidades buscam despontar, outras visam a reconstrução. Em abril, a CBDA foi alvo de uma operação da Polícia Federal na qual dirigentes da entidade, incluindo o ex-presidente Coaracy Nunes, foram presos como parte de uma investigação sobre um suposto esquema de fraude com recursos públicos que pode ter desviado até 40 milhões de reais que deveriam ter sido destinados à preparação de atletas para competições.

Uma nova diretoria foi eleita em junho com uma série de desafios, entre eles conseguir o desbloqueio dos repasses do Ministério do Esporte e do COB, suspensos em função de problemas na prestação de contas.

Também com as verbas bloqueadas, a Confederação Brasileira de Basketball (CBB) conseguiu a liberação do COB no final de julho. A entidade chegou a ser suspensa de competições de novembro a junho pela federação internacional, a Fiba, por não honrar compromissos.

Segundo o vice-presidente da CBB, Manoel Castro, cuja chapa foi eleita em março, a confederação recebeu nos últimos oito anos uma média de 25 milhões de reais anualmente, mas pouco investiu na base do basquete e também nas seleções, que tiveram um desempenho fraco na Rio 2016.

“Para o basquete foi um desastre. Tivemos uma participação pífia, não houve por parte da CBB nenhum tipo de planejamento... a modalidade involuiu”, afirmou Castro, acrescentando que a CBB perdeu grande parte de seus patrocinadores após a Olimpíada. “Ninguém coloca dinheiro onde não tem credibilidade”, acrescentou.

“Você imagina uma confederação que você chega e tem salários atrasados, impostos atrasados, sem material esportivo algum, carregada de dívidas, sem campeonato de base, sem projeto. Era um cenário de crise desastroso”, completou.

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