August 8, 2017 / 6:36 PM / 9 months ago

Dúvida sobre quem restará de pé torna eleição de 2018 grande interrogação, diz presidente do PSB

Por Maria Carolina Marcello e Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - O cenário político requer cautela e é preciso esperar um pouco mais para ver quem restará imune ao “vendaval” por que passa a política brasileira, o que torna a eleição de 2018 “uma grande interrogação hoje”, avaliou o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira.

Dirigente do partido de centro-esquerda que comemora 70 anos de fundação, Siqueira mantém conversas com diversos setores da política brasileira e não descarta uma candidatura própria do partido à Presidência da República. Pondera, no entanto, que qualquer decisão no momento seria precipitada.

“O partido tem uma visão e eu, particularmente também, que 2018 é preciso ter muita cautela porque o mundo político brasileiro passa por um vendaval monumental e nós não temos absolutamente nenhuma segurança de quem se porá em pé até julho de 2018, quando será a escolha dos candidatos”, disse à Reuters o presidente do PSB.

“Portanto, o que está acontecendo não tem um prazo para se resolver. A crise é profunda e não é de um partido ou de outro. A crise é sistêmica, do sistema político, eleitoral e partidário, provocada por uma sucessão de escândalos.”

Siqueira tem mantido conversas com dirigentes de diversos outros partidos, avaliações “preliminares” do contexto geral. Há poucos dias esteve com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Também deve se encontrar com a presidente Nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), além de manter boa relação com Marina Silva, do Rede, que chegou a concorrer pelo PSB à Presidência na eleição passada, e com lideranças do PDT e do PCdoB.

“Não se sente segurança em ninguém com relação a 2018, 2018 é uma grande interrogação hoje”, avaliou.

LULA

Sobre uma eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, avalia que “lamentavelmente” é provável que ele não consiga disputar a Presidência.

“Lamentavelmente porque acho que uma liderança como ele deveria estar aí, não sei com o apoio de quem, mas ele tem seu papel na história”, disse.

Atual líder nas pesquisas eleitorais, Lula foi condenado na primeira instância pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso que envolve um tríplex no Guarujá (SP). Caso a sentença seja confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Lula ficará impedido de disputar um terceiro mandato presidencial.

Se no cenário nacional reina a indefinição, no âmbito regional o PSB já tem algumas escolhas claras e trabalhará para oferecer candidaturas em dois dos maiores colégios eleitorais: os governos de São Paulo, com o atual vice-governador Márcio França, e de Minas Gerais, com o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda.

“Nós temos buscado isso porque o nosso entendimento é que é muito difícil um projeto nacional sem São Paulo e Minas”, explicou.

REFORMA POLÍTICA

O presidente do PSB avalia ainda que não há clima no Congresso Nacional para uma reforma política “ampla e profunda”. Das reuniões que tem participado sobre o tema, colheu a impressão de que há acordo entre parlamentares para aprovar o fim das coligações e a chamada cláusula de barreira.

Também identificou um crescente movimento, no Legislativo, pelo “distritão”, sistema majoritário em que são eleitos os deputados mais votados em cada Estado, ainda que o texto em análise por uma das comissões da Câmara que trata do tema estabeleça o sistema distrital misto, em que metade dos cargos será preenchida a partir de uma lista fechada enquanto a outra metade será definida pelo sistema de votação majoritária em distritos.

A reforma política deve passar ao centro das atenções nos próximos dias, diante da necessidade de o Congresso aprová-la até um ano antes das próximas eleições. Os parlamentares devem discutir ainda uma forma de financiamento das campanhas —o texto em análise na Câmara prevê um fundo abastecido com recursos públicos.

RESISTÊNCIA

Siqueira defende uma refundação da esquerda como “necessidade absoluta” no momento atual.

“Devemos resistir. O momento hoje é de resistência, tal é o grau de fragilidade das forças de centro-esquerda.”

O PSB chegou a apoiar o governo Temer, logo no seu início, mas moveu-se na direção oposta quando foram apresentadas as reformas trabalhista e da Previdência.

Esse movimento, no entanto, evidenciou fissuras entre os parlamentares do partido, com parte deles apoiando as reformas e o governo. O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, que é da legenda, segue no cargo.

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