January 2, 2018 / 9:18 PM / 7 months ago

EUA alertam Coreia do Norte contra outro teste de mísseis e minimizam proposta de conversas

NAÇÕES UNIDAS/SEUL (Reuters) - A embaixadora norte-americana na ONU, Nikki Haley, alertou a Coreia do Norte nesta terça-feira contra um outro teste de mísseis e disse que Washington não levará a sério planejadas conversações entre o regime norte-coreano e a Coreia do Sul se Pyongyang não der passos na direção de abrir mão de suas armas nucleares.

Embaixadora norte-americana na Organização das Nações Unidas, Nikki Haley, alerta Coreia do Norte na ONU 02/01/2018 REUTERS/Lucas Jackson

Haley disse a jornalistas que os Estados Unidos estão ouvindo relatos de que a Coreia do Norte pode estar se preparando para outro teste de mísseis.

“Não levaremos nenhuma conversa a sério se não fizerem algo para banir todas as armas nucleares na Coréia do Norte”, disse a embaixadora.

“A Coréia do Norte pode conversar com quem quiser, mas os EUA não vão reconhecer isso... até que eles concordem em banir as armas nucleares que eles têm”, acrescentou.

A Coreia do Sul propôs conversas à Coreia do Norte nesta terça-feira, apesar do impasse resultante dos programas de armas norte-coreanos, um dia depois de o líder do regime de Pyongyang, Kim Jong Un, ter dito que está aberto a negociações, mas que seu país seguirá com a “produção em massa” de ogivas nucleares.

A tensão na península coreana vem aumentando devido aos programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, que esta desenvolve desafiando anos de resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas e em meio a uma retórica beligerante de Pyongyang e da Casa Branca. O regime norte-coreano vê os exercícios de guerra frequentes entre Seul e Washington como uma preparação para a guerra.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem liderado uma campanha global para aumentar a pressão sobre a Coreia do Norte para que desista de desenvolver um míssil nuclear capaz de atingir os Estados Unidos, manteve cautela ante a oferta de diálogo norte-coreana, dizendo em um tuíte: “Talvez seja uma boa notícia, talvez não - veremos!”.

A proposta de conversas de alto nível na próxima terça-feira foi debatida com os Estados Unidos, disse o ministro da Unificação sul-coreano, Cho Myong-gyon, mas ainda não está decidido se um grande exercício militar entre a Coreia do Sul e os EUA será adiado para depois da Olimpíada de Inverno sul-coreana deste ano.

“Esperamos poder discutir francamente interesses dos dois lados frente a frente com a Coreia do Norte, além da participação do Norte na Olimpíada de Inverno de Pyeongchang”, afirmou o ministro da Unificação sul-coreano, Cho Myong-gyon, a repórteres.

“Repito, o governo está aberto a conversar com a Coreia do Norte, independentemente do momento, do local e da forma”.

Cho disse esperar que o diálogo no vilarejo fronteiriço de Panmunjom, se acontecer, se concentre na participação norte-coreana nos Jogos em fevereiro, mas que outras questões provavelmente virão à tona, como a desnuclearização da Coreia do Norte.

Caso as conversas ocorram no dia 9 de janeiro, representarão o primeiro diálogo do gênero desde uma reunião de vice-ministros em dezembro de 2015.

A proposta chegou depois de um discurso feito por Kim no dia de Ano Novo no qual ele disse estar “aberto ao diálogo” com Seul e à possível atuação de atletas de sua nação nos Jogos de Inverno, mas declarou de forma persistente que a Coreia do Norte é uma potência nuclear.

Depois de saudar a fala de Kim, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, pediu ao seu governo no início nesta terça-feira para agilizar a inclusão da Coreia do Norte na Olimpíada.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, disse que os comentários positivos recentes dos dois lados sobre a melhoria das relações, e as colocações de Kim sobre a participação na Olimpíada, são “uma coisa boa”.

“A China louva a Coreia do Norte e a Coreia do Sul estarem fazendo esforços sinceros para tratar disto como uma oportunidade para melhorar as relações mútuas, incentivar a amenização da situação na Península Coreana e realizar a desnuclearização da península”.

(Reportagem adicional de Jane Chung e Hyonhee Shin, em Seul, e Michael Martina, em Pequim)

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

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