March 5, 2018 / 3:10 PM / 8 months ago

Liga e 5 Estrelas disputam poder após eleição inconclusiva na Itália

ROMA (Reuters) - Dois líderes anti-establishment anunciaram planos para governar a Itália nesta segunda-feira, abalando a zona do euro depois que eleitores deixaram de lado os tradicionais partidos italianos em uma eleição que resultou em um Parlamento sem maioria.

Homem vota em eleição em Milão, na Itália 04/03/2018 REUTERS/Stefano Rellandini

Com a terceira maior economia da União Europeia possivelmente enfrentando uma instabilidade política prolongada, a legenda anti-imigração Liga reivindicou o direito de governar, depois que sua aliança de centro-direita conquistou a maior parcela dos votos.

“Nós temos o direito e o dever de governar”, disse o líder Matteo Salvini em coletiva de imprensa, dizendo que investidores não devem temer o seu governo, à medida que ações, títulos e o euro se enfraqueceram com a perspectiva de uma Itália liderada pela legenda eurocéptica prometendo aumentar os gastos.

Alguns minutos depois, o líder do maior partido único do país atualmente, o anti-establishment Movimento 5 Estrelas, disse estar pronto para assumir um papel de liderança responsável.

“Estamos abertos a conversar com todas as forças políticas”, disse Luigi Di Maio, de 31 anos, em comunicado. “Nós sentimos a responsabilidade de dar à Itália um governo (como)... uma força política que represente toda nação”.

Com a contagem de votos bastante avançada e a divulgação dos resultados finais prevista para esta segunda-feira, parece quase certo que nenhum dos três principais grupos políticos será capaz de governar sozinho, e a expectativa é de que o presidente Sergio Mattarella não inicie negociações formais de coalizão até o início de abril.

Em Bruxelas, um porta-voz da Comissão Europeia disse estar confiante de que um governo estável pode ser formado, “e, no meio tempo, a Itália tem um governo com quem estamos trabalhando de perto”.

Salvini, o líder da Liga, criticou tanto a moeda única quanto as restrições da União Europeia aos orçamentos nacionais.

“O euro foi, é e continua sendo um erro”, afirmou, acrescentando, porém, que um referendo sobre a manutenção da moeda na terceira maior economia da zona do euro é “impensável”.

A maior parcela de votos da eleição de domingo foi para a aliança que inclui a Liga e a Força Itália, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, mas pela primeira vez a Liga emergiu como o parceiro principal da aliança.

Essa troca de papéis assinala uma derrota pessoal amarga para o magnata de mídia bilionário e seu partido, que adotaram posições mais moderadas em relação ao euro e à imigração, enquanto a Liga, de extrema-direita, centrou sua campanha em um discurso de enorme repúdio aos imigrantes.

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