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Desmatamento no mundo em 2017 atinge área do tamanho da Itália, diz estudo

OSLO (Reuters) - O mundo perdeu cobertura vegetal de tamanho equivalente à Itália em 2017, uma vez que florestas foram queimadas para ceder terreno para fazendas da Amazônia à Bacia Congo, de acordo com levantamento de uma rede independente de monitoramento de florestas divulgado nesta quarta-feira.

Visão aérea de área desmatada em Apuí, Amazonas 27/07/2017 REUTERS/Bruno Kelly

A perda de cobertura vegetal, principalmente nos trópicos, totalizou 294.000 quilômetros quadrados no ano passado, pouco abaixo de um recordo de 297.000 quilômetros quadrados registrado em 2016, de acordo com a Global Forest Watch, entidade administrada pelo norte-americano World Resources Institute (WRI).

“Florestas tropicais foram perdidas a uma taxa equivalente a 40 campos de futebol por minuto” em 2017, disse Frances Seymour, do WRI, em entrevista coletiva durante o fórum de Oslo sobre florestas tropicais, com 500 especialistas.

O ministro do Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, disse que o ritmo do desmatamento florestal foi “catastrófico” e ameaça os esforços para reduzir o aquecimento global. As árvores absorvem o dióxido de carbono do ar enquanto crescem, e o liberam quando são queimadas ou apodrecem.

“A destruição florestal está impulsionando as mudanças climáticas”, disse. A Noruega investiu cerca de 2,8 bilhões de dólares em projetos de preservação florestal nos últimos 10 anos --mais do que qualquer outro país rico.

Brasil, República Democrática do Congo, Indonésia, Madagascar e Malásia sofreram as maiores taxas de desmatamento em 2017, afirmou o Global Forest Watch, com base em dados de satélite coletados desde 2001.

O estudo omite, entretanto, quanto a plantação de novas árvores ou o crescimento natural compensa as perdas.

“Vastas áreas continuam a ser desmatadas para soja, pecuária e óleo de palma e outras commodities comercializadas globalmente. Muito desse desmatamento é ilegal”, disse Seymour.

Em 2017, o Brasil perdeu 45 mil quilômetros quadrados de cobertura vegetal, uma queda de 16 por cento frente a um recorde estabelecido em 2016.

Justin Adams, do grupo ambiental Nature Conservancy, disse que apenas 3 por cento do financiamento público para reduzir mudanças climáticas foi destinado a soluções naturais como as florestas.

Ele argumentou que florestas bem administradas podem ser fonte de empregos e crescimento econômico.

A cobertura vegetal é, entretanto, apenas uma maneira de avaliar o estado das florestas no mundo.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) disse que o desmatamento de florestas em todo o mundo diminuiu para apenas 33 mil quilômetros quadrados líquidos por ano de 2010 a 2015, com as perdas anuais de 76 mil km quadrados compensadas pelo ganho anual de 43 mil km quadrados.

Entre as diferenças, a FAO considera que florestas onde árvores foram deliberadamente derrubadas para realizar novas plantações ainda são florestas. Já o Global Forest Watch registra as derrubadas como perda de cobertura vegetal.

Anssi Pekkarinen, autoridade florestal graduada da FAO, disse que seu método de identificar o uso subjacente da terra “fornece uma visão muito mais abrangente das florestas do mundo”.

Reportagem de Alister Doyle

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