August 12, 2018 / 5:59 PM / 3 months ago

Conflitos intensos ocorrem em tentativa do Talibã de controlar cidade afegã

CABUL (Reuters) - Rebeldes do Talibã atacaram o quartel-general da polícia e outros prédios governamentais em Ghazni, no centro do Afeganistão, neste domingo, e ameaçaram assumir controle da cidade, com a principal estrada agora fortemente minada, disseram políticos locais e residentes. 

A Força Aérea norte-americana conduziu pelo menos quatro ataques, e a imprensa local afirma que por volta de 100 pessoas, majoritariamente membros de forças de segurança, foram mortas. Mas detalhes dos conflitos não estavam claros, já que a maioria da infraestrutura de telecomunicação da cidade foi destruída nos últimos dias.

Mohammad Sharif Yaftali, chefe de gabinete do Exército afegão, disse que a cidade não estava sob ameaça de entrar em colapso e que fortes conflitos aconteciam para expulsar o Talibã dos limites da cidade. 

“Locais e centros estratégicos da cidade estão sob o controle de forças afegãs, e o Talibã está se escondendo dentro da casa das pessoas e em lojas e resistindo”, disse Yaftali, em uma entrevista coletiva, em Cabul.

Mas políticos de Ghazni que conseguiram conversar com alguns moradores disseram que o Talibã estava no controle de boa parte da cidade, depois de lançar um ataque inicial nas primeiras horas de sexta-feira. 

“Apenas o escritório do governador, o quartel-general da polícia e agências de inteligência estão nas mãos do governo, e o Talibã está tentando controlá-los”, disse Chaman Shah Ehtemadi, político de Ghazni. 

O ataque, o golpe mais forte do Talibã desde que o grupo ficou próximo de tomar a cidade de Farah em maio, derrubou as esperanças de conversas de paz, que cresceram desde uma trégua surpresa de três dias durante o feriado Eid al-Fitr, em junho. 

Mas oficiais locais vinham alertando há meses que Ghazni, uma cidade estratégia na principal estrada ligando Cabul ao sul do Afeganistão, estava sob ameaça, com o Talibã no controle da maioria dos arredores da província. 

Mohammad Rahim Hasanyar, membro do conselho da província, disse que fortes conflitos continuavam em várias áreas da cidade, e forças afegãos estavam em modo de defesa. 

“Ninguém sabe exatamente qual é a situação porque não há serviços de comunicação”, disse. 

Não houve confirmação do número de mortes. Citando uma fonte do hospital, a emissora de televisão afegã 1TV relatou que mais de 90 membros das forças de segurança e 13 civis foram mortos, com mais de 100 feridos. Disse que também houve mortes no lado do Talibã. 

FOGO E MORTOS

Com a estrada cheia de minas para prevenir a chegada de reforços, os moradores ficaram encerrados dentro da cidade, mas alguns conseguiram escapar pelos campos, na periferia da cidade, e disseram que muitos prédios governamentais estavam pegando fogo. 

“Havia fogo e corpos de gente morta em todo lugar na cidade”, disse à Reuters Abdul Wakil, residente local que escapou no checkpoint de Cabul. 

Vídeos curtos circulando nas redes sociais, que supostamente seriam de Ghazni, mostram alguns membros fortemente armados do Talibã patrulhando a cidade.

“Acabou, a cidade foi tomada”, disse um homem, no lado de fora da sua casa, com vários rebeldes do Talibã ao seu redor.

Os vídeos não puderam ser verificados pela Reuters, mas geraram muitos comentários nas redes sociais, que ressaltaram o choque causado pelo ataque. 

O quartel-general militar dos Estados Unidos em Cabul disse que conflitos esporádicos aconteciam, e que a Força Aérea norte-americana conduziu cinco ataques, no sábado, e outros quatro, no domingo. 

As Forças de Segurança e Defesa Nacionais do Afeganistão continuam a resistir e mantêm controle de centros governamentais”, disse o tenente-coronel Martin O’Donnell, porta-voz das forças norte-americanas no Afeganistão, em um comunicado por email. 

O Talibã não assumiu o controle de nenhum centro provincial importante desde a cidade de Kunduz, em 2015, e o ataque a Ghazni foi um golpe forte para o governo apoiado pelo Ocidente, apenas semanas antes das eleições parlamentares de 20 de outubro. 

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