March 12, 2019 / 5:32 PM / 9 months ago

Bolsonaro confirma liberação de emendas, mas nega relação com negociação para Previdência

BRASÍLIA (Reuters) - Depois de ter negado pelo Twitter que o governo estaria negociando a liberação de emendas como parte da negociação para aprovar a reforma da Previdência, o presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta terça-feira que os recursos, para emendas impositivas, serão liberados, mas ressalvou que não há “negociações no nível que existia no passado”.

Presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto 12/03/2019 REUTERS/Ueslei Marcelino

“Vamos liberar as emendas impositivas, não temos como fugir delas, temos que pagá-las, porque são impositivas. Não tem negociações, no nível que existia no passado, não existirão no meu governo”, garantiu em entrevista no Palácio do Planalto, durante a visita do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez.

O anúncio da liberação aos parlamentares foi feito na segunda pelo líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Segundo o parlamentar, o governo teria 3 bilhões para as emendas, mas apenas 1 bilhão estaria pronto para ser liberado agora, e os recursos iriam para todos os partidos.

Na manhã desta terça, Bolsonaro usou sua conta no Twitter para negar que a liberação de recursos para os parlamentares seja parte de uma negociação para aprovar a reforma da Previdência.

“Informo que não há verbas sendo liberadas para aprovação da Nova Previdência como veículos de informação vêm divulgando. Seguimos o rito constitucional e obrigatório do Orçamento Impositivo, onde é obrigatório a liberação anual de emendas parlamentares”, escreveu Bolsonaro.

Depois, em nova entrevista, dessa vez no Itamaraty, o presidente mostrou algum ceticismo sobre a aprovação da reforma da Previdência ainda no primeiro semestre, como pretende a equipe econômica.

“Por vezes as coisas no Congresso podem ser um pouco demoradas”, disse. “Mas dessa vez vai ter a agilidade que a matéria merece. Os meus colegas parlamentares vão colaborar.”

Bolsonaro disse ainda que está colaborando na articulação com o Congresso e irá ter novas reuniões com líderes e vice-líderes nos próximos dias sobre a reforma.

MINISTROS

O presidente comentou ainda os problemas mais recentes dos seus ministros. Chegou a brincar, dizendo que tem cinco filhos e que, se entre eles já há problemas, “imagina com 22 ministros”.

Sobre a crise no Ministério da Educação, em que uma disputa entre técnicos, militares e indicados pelo escritor Olavo de Carvalho levou à demissão de seis pessoas. Bolsonaro minimizou e confirmou que o ministro Ricardo Vélez fica no cargo.

“Teve um probleminha com o primeiro homem dele (o secretário-executivo Luiz Tozi) mas já está resolvido”, garantiu.

Sobre o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, acusado de usar candidatas-laranja para desviar recursos destinados a campanhas eleitorais de mulheres, Bolsonaro disse que ainda aguarda o primeiro relatório da investigação que está sendo feita pela Polícia Federal.

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