January 3, 2020 / 11:02 PM / 18 days ago

EUA dizem que mataram general iraniano para impedir ataques contra norte-americanos; Irã promete vingança

Por Ahmed Rasheed, Ahmed Aboulenein e Idrees Ali

Manifestantes iranianos com foto do general Qassem Soleimani protestam por causa de sua morte diante do escritório da ONU em Teerã 03/01/2020 Nazanin Tabatabaee/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

BAGDÁ/WASHINGTON, 3 Jan (Reuters) - O Irã prometeu vingança depois que um ataque aéreo dos Estados Unidos em Bagdá na sexta-feira matou Qassem Soleimani, o mais importante comandante militar de Teerã e arquiteto da crescente influência iraniana no Oriente Médio.

Soleimani, um general de 62 anos que chefiava a divisão do exterior da Guarda Revolucionária, era considerado a segunda figura mais poderosa do país, após o líder supremo aiatolá Ali Khamenei.

O ataque durante a noite, autorizado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, foi uma grande escalada em uma “guerra nas sombras” no Oriente Médio entre o Irã e Estados Unidos e aliados norte-americanos, principalmente Israel e Arábia Saudita.

Uma autoridade de alto escalão do governo Trump disse que o general planejava ataques iminentes a representantes dos EUA em todo o Oriente Médio. Críticos democratas disseram que a ordem do presidente republicano foi imprudente e que ele aumentou o risco de mais violência em uma região perigosa.

“Soleimani estava planejando ataques iminentes e sinistros contra diplomatas e militares americanos, mas nós o pegamos no ato e terminamos isso”, disse Trump a jornalistas no resort de Mar-a-Lago, na Flórida.

“Agimos na noite passada para parar uma guerra. Não agimos para começar uma guerra.”

Trump afirmou que os EUA não buscam uma mudança de regime no Irã, mas que Teerã precisa acabar com o que chamou de agressão na região, incluindo o uso de combatentes por procuração.

Um importante general dos EUA alertou que os planos de Soleimani ainda podem ser executados, apesar de sua morte. Autoridades dos EUA disseram que Washington estava enviando cerca de 3.000 soldados a mais para o Oriente Médio, juntando-se aos cerca de 750 enviados ao Kuweit nesta semana.

O ataque, que também matou um importante comandante da milícia iraquiana e conselheiro de Soleimani, Abu Mahdi al-Muhandis, dividiu a opinião iraquiana.

Muitos condenaram os ataques, vendo Soleimani como um herói por seu papel na derrota do grupo militante Estado Islâmico. Outros expressaram aprovação, dizendo que Soleimani e Muhandis haviam apoiado o uso da força contra manifestantes antigoverno desarmados no ano passado e estabeleceram milícias que os manifestantes culpam por muitos dos problemas sociais e econômicos do Iraque.

OPERAÇÃO DE INTELIGÊNCIA

Duas fontes de segurança iraquianas afirmaram que o ataque ocorreu após uma operação de inteligência na qual fontes internas recrutadas pela CIA revelaram o momento da chegada de Soleimani a Bagdá e saída de seu comboio do aeroporto.

Khamenei disse que uma dura vingança aguarda os “criminosos” que mataram Soleimani, e que sua morte vai redobrar a resistência contra os Estados Unidos e Israel. Ele pediu três dias de luto nacional.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, declarou que o ataque foi um ato de “terrorismo internacional” e que o Irã tomará medidas jurídicas para responsabilizar Washington.

Autoridades dos EUA disseram que Soleimani foi morto em um ataque de drone. O Irã afirmou que ele morreu em um ataque de helicópteros dos EUA.

Israel colocou seu Exército em alerta máximo e os aliados norte-americanos na Europa, incluindo Reino Unido, França e Alemanha, manifestaram preocupações.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu “prudência máxima”. O principal inimigo árabe do Irã, a Arábia Saudita, defendeu moderação.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse ao seu colega dos EUA, Mike Pompeo, em um telefonema, que o assassinato “viola grosseiramente o direito internacional” e levaria a sérias consequências para a paz e estabilidade regionais, de acordo com um comunicado do ministério.

A embaixada dos EUA em Bagdá orientou os cidadãos norte-americanos a deixarem o Iraque imediatamente, e dezenas de cidadãos dos EUA que trabalham para empresas petrolíferas estrangeiras na cidade de Basra, no sul, partiram.

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