March 10, 2020 / 12:15 PM / 2 months ago

Itália reforçará medidas econômicas contra o coronavírus para ajudar famílias e pequenos negócios

ROMA (Reuters) - A Itália reforçará as medidas para amenizar o impacto econômico do coronavírus, como suspender a cobrança de contas domiciliares, disse o Ministério da Indústria nesta terça-feira, pedindo à União Europeia que mude suas regras para permitir mais gastos do governo.

Ruas vazias perto do castelo Maschio Angioino, em Nápoles, após governo italiano adotar medidas de combate ao coronavírus 10/03/2020 REUTERS/Ciro De Luca

Toda a Itália, o país mais atingido da Europa, está em isolamento até o mês que vem, em uma tentativa inédita de derrotar a epidemia.

Como o país já está à beira da recessão, as medidas governamentais custarão alto para a terceira maior economia da zona do euro — e alarmaram os mercados financeiros.

A diferença entre os rendimentos dos títulos de 10 anos da Itália e da Alemanha, de referência, ultrapassou os 200 pontos-base pela primeira vez desde agosto de 2019 na segunda-feira.

O ministro da Indústria, Stefano Patuanelli, disse que o governo aprovará medidas de cerca de 10 bilhões de euros para ajudar famílias e empresas, dizendo à Rádio Capital que isso provavelmente fará o déficit orçamentário ficar pouco abaixo dos 3% da produção nacional neste ano.

O ministro da Economia, Roberto Gualtieri, escreveu à Comissão Europeia na semana passada para dizer que Roma pretende elevar a meta oficial atual de 2,2% para 2,5%.

Ainda na segunda-feira, uma fonte do governo disse à Reuters que o Tesouro cogita elevar a meta para 2,8%.

Como agora muitos acreditam que a economia entrará em uma recessão profunda, novas revisões para cima parecem possíveis.

Patuanelli disse que, na primeira leva de medidas, o governo planeja suspender os pagamentos de contas, impostos e hipotecas para aliviar a pressão sobre famílias e pequenos negócios. Outras medidas virão mais tarde, acrescentou.

O gabinete deve se reunir na quarta-feira para aprovar o pacote inicial.

O ministro pediu à UE que altere seu Pacto de Estabilidade e as regras de finanças públicas do Pacto Fiscal assim que a emergência do coronavírus se instaurou, dizendo que o fardo econômico atingirá muitas pessoas.

“Pediremos que as regras sejam alteradas, isso sendo uma condição necessária, senão as pessoas morrerão”, disse Patuanelli, acrescentando que “não é questão de ‘se’ as regras serão contestadas, mas ‘como’ serão”.

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