March 27, 2020 / 2:04 PM / 4 months ago

Estrangeiros são alvo de suspeita na China enquanto coronavírus piora no exterior

SHENZHEN, China/XANGAI (Reuters) - Francesca Torlai sempre se deu bem com os vizinhos quando leva seu pequenês, Waffles, para passear pelos becos de Pequim, mas ultimamente a italiana começou a ouvir pessoas se referindo a ela com desconfiança.

Passageiro usando máscara de proteção entra em estação de metrô em Pequim 27/03/2020 REUTERS/Thomas Peter

“Algumas estão falando do meu cronograma e porque e quando eu saio”, disse ela, acrescentando que agora voluntários da comunidade a abordam com frequência para pedir provas de onde ela esteve.

“É ridículo, já que a comunidade é pequena e sou a única estrangeira com um cachorro.”

Torlai suspeita que o comportamento atípico se deve a uma coisa: o coronavírus e o medo de que a doença que surgiu na cidade chinesa central de Wuhan no final do ano passado esteja sendo importado por estrangeiros no momento.

A China parece ter superado a pior fase do surto local, e os casos importados foram o maior problema nos últimos 10 dias.

Embora a China diga que 90% dos casos importados são de chineses, muitos deles estudantes fugindo de surtos em locais como Estados Unidos e Reino Unido, a suspeita está recaindo nos estrangeiros, inclusive os muitos expatriados.

Em seu esforço cada vez mais desesperado para frear os casos importados, a China anunciou na quinta-feira que proibirá a entrada de estrangeiros, incluindo aqueles com visto de residência.

A mídia estatal vem alardeando o sucesso da China no combate à epidemia quando comparada com outros países, e algumas autoridades questionam a crença de que o vírus teve origem em Wuhan.

Teorias conspiratórias que o rastreiam nos EUA abundam nas redes sociais chinesas.

Agora alguns expatriados da China estão se queixando de tratamento injusto, disse Kyle Hadfield, que administra o expatrights.org, uma plataforma para estrangeiros que tem mais de 10 mil inscritos no WeChat.

“São pessoas que estão sendo barradas em academias, supermercados, spas etc. Evitadas em público, tratadas como um vírus”, contou Hadfield.

Vários expatriados disseram ter sido rejeitados em escritórios, shopping centers e até campos de futebol.

Recentemente, seguranças de um prédio de escritórios não deixaram um repórter da Reuters entrar até terem contatado a gerência.

“O vírus está ficando sério no exterior, temos que ser cuidadosos com você”, disse um deles.

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