April 17, 2020 / 1:01 PM / a month ago

Ao menos 300 mil pessoas podem morrer de Covid-19 na África, estima agência da ONU

JOHANESBURGO (Reuters) - A pandemia de Covid-19 pode levar à morte de ao menos 300 mil pessoas na África e arrisca deixar 29 milhões na extrema pobreza, informou a Comissão da Organização das Nações Unidas para a África (Uneca) nesta sexta-feira, pedindo 100 bilhões de dólares para uma rede de segurança destinada ao continente.

Voluntária com máscara de proteção na Cidade do Cabo 17/04/2020 REUTERS/Mike Hutchings

Os 54 países da África registraram menos de 20 mil casos do novo coronavírus até então, apenas uma parcela dos mais de dois milhões de casos confirmados a nível global. No entanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou na quinta-feira que o continente africano pode chegar a 10 milhões de casos entre os próximos três a seis meses.

“Para proteger e rumar em direção à nossa prosperidade compartilhada, são necessários pelo menos 100 bilhões de dólares para obter imediatamente uma resposta da rede de saúde e segurança social”, afirmou o relatório da Uneca.

A Uneca também apoia um pedido dos ministros das Finanças do continente para 100 bilhões de dólares adicionais em estímulo, o que poderia incluir uma suspensão da dívida externa.

A agência projetou quatro cenários baseados no nível de medidas preventivas implementadas pelos governos de cada país africano.

Em caso de intervenção nula, o estudo calculou que mais de 1,2 bilhão de pessoas seriam afetadas e 3,3 milhões morreriam neste ano. A população total da África é estimada em 1,3 bilhão.

A maioria do continente, entretanto, já determinou medidas de distanciamento social, que variam de toques de recolher e restrições de viagem em alguns países a bloqueios completos em outros.

Ainda assim, no melhor cenário, no qual os governos intensificam essas medidas, a África seria atingida por 122,8 milhões de casos da infecção, 2,3 milhões de internações e 300 mil mortes, previu o estudo.

Combater a doença será complicado, uma vez que 36% dos africanos não têm acesso a saneamento básico, e o continente conta com apenas 1,8 leitos a cada mil pessoas. A França, em comparação, tem 5,98 leitos a cada mil pessoas.

A África apresenta uma elevada parcela demográfica de jovens —cerca de 60% da população está abaixo de 25 anos—, o que deve ajudar a amenizar a doença. Por outro lado, 56% da população urbana está concentrada em favelas superlotadas e muitas pessoas também são vulneráveis devido à Aids, tuberculose e desnutrição.

O continente importa 94% de seus produtos farmacêuticos, indicou o relatório, pontuando que pelo menos 71 países proibiram ou limitaram as exportações de certos suprimentos considerados essenciais para combater a infecção.

“No melhor cenário ... 44 bilhões de dólares seriam necessários para testes, equipamentos de proteção individual e para tratar todos aqueles que necessitam de hospitalização”, afirmou.

No entanto, a África não tem essa quantia, já que a crise também pode encolher a economia do continente em até 2,6%.

“Estimamos que entre 5 milhões e 29 milhões de pessoas serão empurradas abaixo da linha de extrema pobreza, com 1,90 dólar por dia, devido ao impacto da Covid-19”, afirmou o relatório.

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