April 30, 2020 / 1:17 PM / 2 months ago

Decisão de Moraes que barrou Ramagem quase causou crise institucional, diz Bolsonaro

SÃO PAULO (Reuters) - A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu liminar para suspender a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal, quase causou uma crise institucional, disse nesta quinta-feira o presidente Jair Bolsonaro, que se recusou a dar mais detalhes sobre o assunto.

Presidente Jair Bolsonaro em Brasília 24/04/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino

“Ontem quase tivemos uma crise institucional. Quase, faltou pouco. Eu apelo a todos que respeitem a Constituição”, disse Bolsonaro a jornalistas ao deixar o Palácio da Alvorada nesta manhã. “Não vou entrar em detalhes contigo”, respondeu o presidente, quando indagado por uma jornalista sobre o assunto.

“Eu não engoli ainda essa decisão do senhor Alexandre de Moraes. Não engoli! Não é essa a forma de tratar o chefe do Executivo, que não tem uma acusação de corrupção”, disparou.

O presidente criticou a decisão de Moraes, que atendeu a pedido feito pelo PDT alegando desvio de função na nomeação de Ramagem, que é amigo pessoal da família Bolsonaro, classificando-a de “política”. [nL1N2CI0CP]

Ao anunciar que estava se demitindo do comando do Ministério da Justiça, Sergio Moro acusou Bolsonaro de buscar interferir politicamente na PF e disse que o presidente queria trocar o comando do órgão por ter interesse em inquéritos que tramitam no STF e cuja investigação cabe à Polícia Federal.

Bolsonaro também cobrou de Moraes um posicionamento sobre se Ramagem pode permanecer como diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), posto que ocupava antes da nomeação para o comando da PF e para o qual retornou após o presidente revogar o decreto de nomeação para chefiar a Polícia Federal.

Disse ainda que, se Moraes não se manifestar sobre o tema, permitirá que ele volte a nomear Ramagem para a PF.

“Essa decisão do senhor Alexandre de Moraes ontem, no meu entender, falta um complemento para mostrar que não é uma coisa voltada pessoalmente para o senhor Jair Bolsonaro, falta ele decidir se o Ramagem pode ou não continuar na Abin. É isso que eu espero dele. Ele tem que se posicionar no tocante a isso. Se ele não se posicionar, ele está abrindo a guarda para eu nomear o Ramagem independentemente da liminar dele”, disse.

“Senhor Alexandre de Moraes, aguado de vossa excelência uma canetada para tirar o Ramagem da Agência Brasileira de Inteligência, para ser coerente. Estou indo a Porto Alegre agora e espero, ao voltar —vou pedir para um assessor meu entrar em contato com o gabinete do senhor Alexandre de Moraes para ele fazer alguma coisa com o senhor Ramagem, porque se ele não pode ter a confiança para trabalhar na Polícia Federal, também não pode trabalhar na Abin.”

Ao contrário da nomeação para a Polícia Federal, a indicação presidencial para chefiar a Abin precisa ser aprovada pelo Senado, após o indicado passar por uma sabatina na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Casa.

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