May 5, 2020 / 8:56 PM / 3 months ago

Ministério da Economia vê faturamento cair em 39 de 41 setores no Brasil por Covid-19

BRASÍLIA (Reuters) - O congelamento das atividades por conta do isolamento social adotado para combater o surto do coronavírus fez o faturamento de 39 de 41 setores no Brasil recuar, atingindo com mais força serviços de alojamento (-90%), transporte aéreo (-79%) e fabricação de veículos automotores (-74%), conforme levantamento interno do Ministério da Economia visto pela Reuters.

Prédio do Ministério da Economia, Brasília (DF) 03/01/2019 REUTERS/Adriano Machado

Os dados, que consideraram vendas fechadas de meados de março até 21 de abril, foram compilados pela Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade e constam em estudo preparado por técnicos da equipe de Paulo Guedes para uma estratégia de retomada baseada em investimentos privados em infraestrutura.

O documento aponta “certo consenso” quanto ao fato de que a recuperação da economia não será em “V”, dificilmente voltando ao patamar anterior à crise no curto prazo.

“As ações econômicas tomadas pelo governo federal visam garantir a subsistência das famílias mais pobres e manter as relações empresariais e trabalhistas ativas enquanto a interrupção das atividades impede a geração de renda”, diz o estudo.

“Entretanto, é esperado que o retorno dessas atividades não possa ocorrer em sua plenitude, em virtude das medidas de contenção da transmissão do vírus que poderão perdurar.”

De acordo com o levantamento, apenas dois setores viram o faturamento subir no período: saúde privada (+23%) e indústria extrativa (+11), categoria que engloba mineração, petróleo e gás (exceto refino) e florestal.

Houve queda superior a 30% no faturamento para 22 dos setores analisados, incluindo transporte de passageiros (-66%), serviços de alimentação (-45%), energia elétrica (-42%) e comércio de combustíveis e lubrificantes (-34%).

Outros 17 tiveram uma perda variando de 6% a 26%, inclusive alguns que tiveram permissão para seguir operando normalmente desde o começo da pandemia, como agropecuária (-16%) e comércio não especializado, que abarca hipermercados e supermercados (-10%).

Os números refletem o desafio para a economia em 2020 diante da interrupção sem precedentes na demanda por bens e serviços. Oficialmente, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) ainda é de alta de 0,02% no ano, mas integrantes do time econômico reconhecem que o número irá para o terreno negativo em revisão que será publicada em breve, ainda neste mês.

Na pesquisa Focus conduzida pelo Banco Central com dezenas de economistas, a projeção mais recente é de uma contração de 3,76% do PIB neste ano.

Veja abaixo os dados do Ministério da Economia para os 41 setores:

Serviços de alojamento -90%

Transporte aéreo -79%

Fabricação de veículos -74%

automotores

Transporte de passageiros -66%

Fabricação de têxteis, -63%

vestuário e calçados

Fabricação de móveis -51%

Comércio de veículos, peças e -49%

motocicletas

Comércio de Tecidos, artigos de -48%

armarinho, vestuário e calçados

Outras atividades de serviços -47%

Fabricação de produtos -45%

eletrônicos, de informática e

elétricos

Serviços de alimentação -45%

Outros serviços de -44%

telecomunicações e informações

Água e saneamento -43%

Energia elétrica -42%

Fabricação de máquinas e -35%

equipamentos, instalações e

manutenções

Comércio de outros produtos em -35%

lojas especializadas

Comércio de Combustíveis e -34%

lubrificantes

Educação (privada) -32%

Fabricação de produtos de -32%

borracha e de material plástico

Fabricação de produtos -31%

diversos, impressões e

gravações

Refino do petróleo e produção -30%

de biocombustíveis

Comércio de artigos usados -30%

Outros Transportes e serviços -26%

auxiliares

Fabricação de produtos minerais -26%

não metálicos e produtos de

metal

Construção -25%

Transporte de cargas -22%

Serviços de manutenção e -19%

reparação

Serviços profissionais, -17%

administrativos e

complementares

Comércio por atacado -17%

Agropecuária -16%

Telecomunicações -15%

Comércio de Produtos -14%

alimentícios, bebidas e fumo

Atividades financeiras -14%

Fabricação de produtos químicos -11%

Comércio não especializado -10%

(hiper, super alimentos)

Fabricação de produtos de -10%

madeira, papel e celulose

Fabricação de produtos -6%

farmoquímicos e farmacêuticos

Fabricação de alimentos, -6%

bebidas e fumo

Tecnologia da informação -6%

Indústrias extrativas 11%

Saúde (privada) 23%

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