May 11, 2020 / 10:10 PM / 17 days ago

Bolsonaro diz esperar que seja extraída de vídeo apenas parte que interessa a inquérito do STF

Presidente Jair Bolsonaro em uma de suas tradicionais entrevistas coletivas em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília (DF) 05/05/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro disse, nesta segunda-feira, esperar que seja extraída da integra do vídeo de reunião ministerial entregue pelo governo ao Supremo Tribunal Federal (STF) apenas a parte que interessa ao inquérito que apura acusação do ex-ministro Sergio Moro de que Bolsonaro cobrou durante o encontro a troca do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Segundo o presidente, o vídeo foi fornecido na íntegra apesar de, na opinião de Bolsonaro, não existir essa obrigação porque não era um registro oficial. “Era um vídeo reservado, eu podia ter falado que não tinha mais”, disse.

“O que espero é que seja extraído do vídeo o que interessa ao inquérito”, reforçou Bolsonaro, em entrevista na porta do Palácio da Alvorada.

O presidente disse ter tratado na reunião de questões referentes à política internacional e avaliou não ser justo divulgar essas informações. Segundo ele, se fosse em uma conferência, as questões não teriam sido tratadas dessa forma “mais bruta”. Novamente, ele ressalvou que não se negou e forneceu a “fita bruta”.

“Tudo o que foi falado em relação ao ministro Sergio Moro vai ser extraído e usado no inquérito”, disse.

O vídeo vai ser veiculado na terça-feira pela manhã pela Polícia Federal em Brasília para as partes envolvidas diretamente no caso, como a Advocacia-Geral da União, investigadores da PF, representantes da Procuradoria-Geral da República e defensores de Moro, com a presença pessoal do próprio ex-ministro.

Em depoimento no dia 2 de maio, Moro disse que, durante a reunião ministerial ocorrida em 22 de abril, Bolsonaro afirmou que iria interferir em todos os ministérios e, quanto à pasta da Justiça e Segurança Pública, se não pudesse trocar o superintendente da PF no Rio, trocaria o então diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo, e o próprio ministro da Justiça.

Esse episódio ocorreu dois dias antes de Moro pedir demissão do cargo e acusar Bolsonaro de interferência política na PF.

Reportagem de Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito

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