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Nacional

Manifestantes contra e a favor de Bolsonaro fazem atos pelo país

SÃO PAULO (Reuters) - Manifestantes contrários e a favor do presidente Jair Bolsonaro protestaram neste domingo em atos nas maiores cidades do país, sem registro de confrontos na maior parte do tempo, embora em São Paulo um grupo, classificado pela Polícia Militar paulista como “vândalos”, tenha entrado em confronto com a tropa de choque da PM.

Manifestação contra Bolsonaro em São Paulo 7/6/2020 REUTERS/Amanda Perobelli

No fim de semana anterior, as manifestações foram mais tumultuadas, com a polícia usando bombas de efeito moral para evitar que grupos favoráveis e contrário ao presidente se digladiassem na Avenida Paulista.

Os atos contra e a favor de Bolsonaro em São Paulo aconteceram em locais separados, ao contrário da semana passada, dessa vez por uma determinação judicial e após acordo dos organizadores dos protestos com o Ministério Público estadual.

A Justiça acatou pedido feito pelo governo do Estado para proibir que ambas manifestações voltassem a acontecer na Avenida Paulista e, enquanto o grupo favorável ao presidente se reuniu neste local, manifestantes contrários a Bolsonaro se agruparam no Largo da Batata, na zona oeste da cidade, levando também bandeiras favoráveis à democracia e contra o racismo.

Nos dois protestos, grande parte dos manifestantes usava máscaras de proteção, mas houve aglomeração, o que vai contra a recomendação das autoridades de saúde para frear a disseminação da Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus e que já matou quase 36 mil pessoas no Brasil.

Na Avenida Paulista, os apoiadores do presidente se reuniram perto do prédio da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), usando camisas verdes e amarelas, algumas com o rosto do presidente estampado.

Já no Largo da Batata, os 3 mil manifestantes presentes, segundo informação da Polícia Militar, estavam majoritariamente de preto. Assim como há uma semana, torcedores de times de futebol, especialmente do Corinthians, se manifestaram a favor da democracia. Os corintianos abriram uma grande bandeira com os dizeres “Democracia Corintiana”.

O ato no Largo da Batata teve, além de gritos de “fora, Bolsonaro”, também como pauta o antirracismo e o protesto contra a violência policial contra negros, com cartazes com os dizeres “Vidas Negras Importam”. Em dado momento, os manifestantes gritavam “não consigo respirar” em alusão à frase dita pelo norte-americano George Floyd, negro desarmado assassinado em Mineápolis, nos Estados Unidos, por um policial branco que ajoelhou por nove minutos sobre seu pescoço.

“Nós temos aqui os nossos próprios problemas e as nossas próprias mortes. A gente está falando da polícia que mais mata. A gente está falando da mortalidade do corona nos negros, muito maior. A gente está falando do isolamento que não funcionou nas favelas e nas periferias. Então, a gente está fadado à morte, de corona, de fome ou de tiro”, disse à Reuters TV a manifestante Juliana Gonçalves, que usava máscara e um escudo de proteção facial.

DETENÇÕES

Após a dispersão no Largo da Batata, parte dos manifestantes quis seguir em passeata até a região da estação Fradique Coutinho do metrô, que é próxima ao ponto original do protesto. Apesar de a PM afirmar que o acordo inicial era que a manifestação não se movimentaria, decidiu permitir essa caminhada. Após o ato na estação, um grupo minoritário quis se encaminhar para a Avenida Paulista e foi impedido pelos policiais, iniciando assim um confronto.

“Um grupo que sobrou já no início da noite, que eu não considero manifestantes --os manifestantes, aqueles cidadãos de bem que fizeram seus atos contra ou pró governo federal, contra ou pró governo estadual, esses já tinham ido para casa. Agora esses que permaneceram... essas pessoas eu não classifico mais como manifestantes. Essas pessoas que ficam no final são meia dúzia de vândalos”, disse à GloboNews o secretário-executivo da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Camilo.

Ele disse que a PM realizou 17 detenções de pessoas que portavam objetos como comuteis molotov, paus e pedaços de madeira tanto no protesto a favor de Bolsonaro, na Paulista, como no contra o presidente, no Largo da Batata. Imagens da TV também mostraram uma agência bancária depredada --a polícia disse que o mesmo ocorreu com uma segunda-- e pessoas ateando fogo em lixeiras e virando caçambas de entulho.

No Rio de Janeiro, onde no fim de semana passado a polícia também usou bombas de efeito moral, um grupo de menos de 100 pessoas fez pela manhã uma caminhada pacífica pela orla da Praia de Copacabana a favor de Bolsonaro.

“Somos contra a corrupção e a favor do Brasil”, disse um manifestante idoso --pertencente ao grupo de risco da Covid-19-- que se identificou apenas como Aílton.

No centro da capital fluminense, a manifestação contra Bolsonaro, a exemplo do que aconteceu em São Paulo, também levou a bandeira do antirracismo e de protesto contra a violência policial nas favelas da cidade, novamente com menções a Floyd e cartazes com a mensagem “Vidas Negras Importam”.

No Rio, a PM também deteve pessoas que portavam objetos como facões, bastões de madeira, barras de ferro entre outros tanto no protesto de Copacabana como no da região central. Uma pessoa que tinha mandado de prisão em aberto por homicídio foi preso e outras 45 detidas, de acordo com a PM fluminense.

BOLSONARO SEM MÁSCARA

Em Brasília, após Bolsonaro pedir durante a semana que seus apoiadores não participassem de manifestações neste domingo, aconteceram atos a favor e contra o presidente.

Algumas dezenas de apoiadores de Bolsonaro ocupavam um lado da Esplanada dos Ministérios com as tradicionais camisas verdes e amarelas que se tornaram marca do grupo favorável ao presidente.

Do lado oposto, torcedores de times de futebol se juntaram a centenas de manifestantes que gritavam a favor da democracia e a outro grupo numeroso de ativistas contra o racismo que lembravam vítimas negras da violência policial no Brasil, como o menino João Pedro, morto dentro de casa por dezenas de tiros durante uma operação policial em uma favela no Rio de Janeiro.

Em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro --que durante a semana chamou os manifestantes contrários a ele de “marginais”, “maconheiros”, “terroristas” entre outros ataques-- cumprimentou, abraçou e tirou fotos com um pequeno grupo de apoiadores que se aglomerou no local. O presidente não usava máscara, apesar de o equipamento de proteção ser obrigatório por decreto no Distrito Federal.

Em outro momento, ainda sem usar máscara, Bolsonaro falou com um outro grupo de simpatizantes em frente ao palácio que é sua residência oficial.

Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier e Sérgio Queiroz, no Rio de Janeiro, e de Lisandra Paraguassu, em Brasília

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