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Dólar perde fôlego com exterior, mas cautela persiste

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar passava a alternar leve queda e estabilidade ante o real nesta sexta-feira, depois de mais cedo subir quase 1%, com a perda de fôlego ocorrendo na esteira de uma abertura menos negativa em Wall Street e do enfraquecimento da divisa no exterior, mas ainda com cautela em meio a números recordes de casos de Covid-19 nos EUA.

REUTERS/Marcos Brindicci

Às 11:06, o dólar recuava 0,26%, a 5,3298 reais na venda. Na máxima, a cotação subiu 0,97%.

Na B3, o dólar futuro tinha queda de 0,23%, a 5,3345 reais.

No exterior, o dólar passou a cair frente a vários rivais, depois de mais cedo ter subido contra praticamente todos, enquanto moedas emergentes se apreciavam. O índice do dólar ante uma cesta de moedas caía 0,2%.

Veja gráfico do índice do dólar e do real nesta sexta-feira:

Wall Street oscilava perto da estabilidade, apesar do receio do mercado de que novas quarentenas impostas por alguns Estados norte-americanos prejudiquem a recuperação na maior economia do mundo, que ainda luta para sair da recessão.

Mais de 60.500 novas infecções por coronavírus foram relatadas nos Estados Unidos na quinta-feira, a maior contagem de casos em um único dia em qualquer país desde que o vírus surgiu no final do ano passado na China.

E no Brasil a pandemia também segue resiliente, com 42.619 novos casos de coronavírus na quinta, elevando o total para 1.755.779. Foram mais 1.220 mortes informadas na véspera, com o número agregado indo a 69.184.

“Frente ao aumento dos riscos do cenário, investidores optam por manter posições mais cautelosas”, disse em nota Alejandro Ortiz Cruceno, da equipe econômica da Guide Investimentos e chamando atenção para a queda nos yields dos Treasuries e alta do ouro, ativos demandados em tempos de incerteza.

Do lado macro, o setor de serviços registrou queda em maio, ainda afetado pelas quarentenas impostas para conter a disseminação do Covid-19. E o IPCA de junho subiu em linha com as expectativas, o que orienta as atenções do mercado para eventuais leituras mais altas nos próximos meses.

Em entrevista à Reuters na noite de quarta-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o BC precisa entender o impacto do crescimento na inflação para avaliar se ainda há espaço para corte residual nos juros básicos, complementando que dados na margem mostram inflação acima das expectativas.

Leituras de inflação mais altas poderiam barrar expectativas adicionais de cortes de juros pelo Banco Central, evitando nova deterioração nas análises de risco/retorno para o real.

Por José de Castro

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