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BC é mais otimista que mercado com economia, vê pouco ou nenhum espaço para cortar Selic

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central vê uma reação da economia mais forte que a enxergada pelo mercado, indicou nesta quarta-feira o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, complementando que, em relação à Selic, a avaliação é que há pouco ou nenhum espaço para cortes adicionais.

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa de entrevista coletiva em Brasília 07/04/2020 REUTERS/Adriano Machado

Ao participar virtualmente de evento promovido pela Bloomberg, Campos Neto estimou que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano deverá ficar “por volta de 5%”, seguida por um crescimento de “um pouco mais que 4%” em 2021.

Os números contrastam com as projeções de -5,28% e +3,50%, respectivamente, coletadas pelo BC junto a economistas na mais recente pesquisa Focus.

Quanto aos juros básicos, ele destacou ver pouco ou nenhum espaço para reduzir a Selic, após o BC ter cortado a taxa básica de juros em 0,25 ponto em agosto, ao patamar atual de 2% ao ano.

“Dissemos que temos um limite mínimo para os juros no Brasil e que o ‘lower bound’ é dinâmico, e passamos muito tempo descrevendo a maneira como vemos isso”, afirmou ele, em inglês.

“Também dissemos na nossa comunicação que vemos pouco ou nenhum espaço para fazer cortes adicionais, mas também reconhecemos que precisávamos de condições estimulativas. Por conta disso, introduzimos o instrumento de forward guidance (orientação futura)”, completou.

No mês passado, o BC adiantou em seu comunicado que não antevê altas na Selic a menos que as expectativas e projeções para a inflação fiquem suficientemente próximas das metas no seu horizonte relevante para a política monetária, que inclui 2021 e, em menor grau, o ano de 2022.

Nesta quarta-feira, Campos Neto destacou que, logo após a introdução do forward guidance pelo BC, a curva média de juros cedeu, numa mostra do efeito da orientação futura recém-implementada.

“Ficamos na verdade surpresos com a reação do mercado, foi maior do que esperávamos, em alguma medida. Mas então veio a preocupação fiscal e aí a curva sofreu inclinação de novo”, afirmou.

Sobre a possibilidade do uso pelo BC da compra de títulos de dívida para achatar a curva, aberta pela emenda constitucional do Orçamento de Guerra, Campos Neto reiterou que a visão da autoridade é que este é mais um instrumento para evitar disfuncionalidade do mercado do que de política monetária.

Em relação à recuperação econômica, Campos Neto disse que a retomada está ocorrendo em V, mas que deve haver desaceleração à frente. Ele afirmou que o desempenho do PIB no terceiro trimestre deverá ser positivo, sendo que a dúvida é quanto à expansão no quarto trimestre, se irá crescer mais ou desacelerar.

O BC, ressaltou ele, tende a achar que os últimos três meses do ano serão melhores do que o mercado prevê.

Campos Neto também reiterou a importância da disciplina fiscal para manutenção dos juros e da inflação em patamares baixos e disse que, passado o ano de gastos extraordinários por conta do coronavírus, o governo retomará o caminho de ajustes, priorizando o crescimento guiado pelo investimento privado, com melhoria da eficiência, abertura da economia e realização de privatizações.

O presidente do BC defendeu ainda o mecanismo do teto de gastos, pontuando que sua existência abriu o caminho para as vultosas despesas na crise já que, passado esse momento, os agentes de mercado sabiam que haveria retorno ao limite imposto pela regra.

CÂMBIO

Campos Neto disse que o BC não trabalha com nível de preço para o câmbio e que poderá intervir “pesadamente” caso ache necessário.

Durante sua fala, ele lembrou que, em algum momento no caminho do dólar para o patamar de 6 reais, houve a avaliação interna de que o câmbio estava descolado. O BC iria intervir mais pesadamente e se preparou para tanto, mas a moeda norte-americana começou a se estabilizar e voltar em direção aos 5 reais.

De acordo com Campos Neto, se os mesmos problemas de disfuncionalidade identificados no passado forem novamente vistos, o BC estará pronto para agir “pesadamente”.

Sobre a volatilidade cambial, ele admitiu que ela está mais alta do que deveria, mas reiterou visão já externada de que o BC não dispõe de instrumento válido para lutar contra o movimento.

O BC segue estudando os fatores que estão provocando a volatilidade, completou Campos Neto, citando a realização de mais contratos pequenos e o uso do real como hedge.

“É muito importante (mais estabilidade na taxa de câmbio). Não é uma coisa que você pode causar, é um prêmio que você ganha por ter um programa sólido e crível de governo, por ter credibilidade no Banco Central, por ter credibilidade na política cambial”, disse.

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