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UE exige fim de projeto britânico que viola tratado do Brexit; Reino Unido recusa

LONDRES/BRUXELAS (Reuters) - A União Europeia afirmou ao Reino Unido nesta quinta-feira que o país precisa abandonar urgentemente uma proposta de violar o tratado de saída do bloco, mas o governo do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, recusou e seguiu em frente com um projeto de lei que poderia afundar quatro anos de negociações do Brexit.

Ponte de Westminster, em Londres 10/09/2020 REUTERS/Henry Nicholls

A Comissão Europeia disse que está acelerando os preparativos para a conclusão do confuso processo de saída britânica da UE, e que o Reino Unido estaria cometendo “uma violação extremamente grave” do Acordo de Retirada do ano passado se for adiante com a legislação proposta.

Após negociações de emergência entre o vice-presidente da Comissão, Maros Sefcovic, e o representante britânico para o Brexit, Michael Gove, a UE informou que a proposta do Reino Unido “prejudicou seriamente a confiança”, e que o Reino Unido agora deve tomar medidas para restabelecê-la.

Gove, um dos ministros mais graduados de Johnson, disse que recusou o pedido da UE de descartar o projeto de lei.

“Expliquei ao vice-presidente Sefcovic que não podíamos e não faríamos isso”, afirmou Gove.

Diplomatas e autoridades da UE disseram que o bloco pode entrar com uma ação legal contra o Reino Unido, embora não haverá resolução antes do prazo do fim do ano para a saída britânica total após período de transição.

O governo britânico diz que está comprometido com o tratado e que uma proposta de lei que substitui partes do Acordo de Retirada apenas esclarece ambiguidades. A prioridade, segundo o governo, é o acordo de paz da Irlanda do Norte de 1998, que encerrou décadas de violência.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, disse a seu homólogo britânico, Dominic Raab, que uma violação do Acordo de Retirada com a UE seria “inaceitável”, afirmou uma porta-voz.

Os líderes europeus receberam um ultimato: aceitar a violação do tratado ou se preparar para um divórcio complicado que pode semear o caos nas cadeias de abastecimento em toda a Europa e assustar os mercados financeiros globais.

O Reino Unido assinou o tratado e deixou formalmente a UE em janeiro, após mais de três anos de crises e disputas sobre o Brexit. No entanto, permanece como membro em tudo, exceto no nome, até o final do ano, quando um acordo de transição expira.

A libra caiu em relação ao dólar e ao euro e o índice de ações FTSE 100 caiu. A chefe do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse que estava monitorando os desenvolvimentos do Brexit.

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