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BC vê pressão na inflação como temporária, mas está vigilante, diz diretora

BRASÍLIA (Reuters) - A diretora de Assuntos Internacionais do Banco Central, Fernanda Nechio, avaliou nesta terça-feira que as pressões atuais sobre a inflação são temporárias e devem se dissipar ao longo do tempo, mas frisou que a autoridade monetária segue vigilante.

Sede do Banco Central, em Brasília (DF) 29/10/2019 REUTERS/Adriano Machado

“Da nossa perspectiva e pelo que estamos vendo agora, tanto as leituras de inflação quanto as expectativas de inflação estão abaixo das metas em 2020, 2021 e 2022”, afirmou ela em participação na sessão “Macro Conversations”, no âmbito das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A diretora ressaltou que é para esse quadro que a autoridade monetária olha ao tomar sua decisão de política monetária. Ao mesmo tempo, ela ressaltou que o BC segue atento ao tema. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece nos dias 27 e 28 deste mês.

“Ainda que estejamos vendo as leituras de inflação agora como temporárias, permanecemos muito vigilantes. Esse é um Banco Central com regime de metas para a inflação, então levamos isso muito a sério e olhamos para várias medidas de inflação e expectativas de inflação”, afirmou ela, em debate que foi transmitido pelo UBS.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em setembro a maior alta para o mês desde 2003, de 0,64%, pressionado pelo aumento dos preços de alimentos. No acumulado em 12 meses, o IPCA chegou a 3,14%, frente a 2,44% nos 12 meses até agosto, mas ainda abaixo da meta do Banco Central para 2020, que é de 4%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Nechio avaliou que os desenvolvimentos recentes ligados à inflação estão muito ligados à dinâmica da recuperação econômica no país, que não é uniforme e é concentrada em alguns setores, citando o aumento nos preços da construção e em alimentos em meio à recomposição de renda provida por programas do governo.

Sobre o aumento do dólar frente ao real, ela reconheceu uma “massiva depreciação” em moedas emergentes, mas disse que a visão do BC é de que o repasse cambial para a inflação, ainda que esteja acontecendo no momento, não é poderoso como seria se a economia não estivesse mergulhada em recessão.

Nechio também reiterou nesta terça-feira que a manutenção do regime fiscal é chave para o país conseguir crescer de maneira sustentável, sendo também uma das condições para a orientação futura (“forward guidance”) do BC de que não reduzirá o estímulo monetário. A Selic está hoje em sua mínima histórica de 2% ao ano.

A diretora acrescentou que a outra perna para o “forward guidance” seguir de pé é a ancoragem das expectativas de inflação.

Nechio ponderou, em relação à recuperação econômica, que o setor de serviços ainda está para trás, já que requer a mobilidade social voltando a níveis normais. Ela também afirmou que há ainda muita incerteza no horizonte, incluindo a possibilidade de uma segunda onda de contágio pelo coronavírus.

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