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Dólar vai abaixo de R$5,43 com vantagem de Biden em Estados cruciais

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliava as perdas contra o real nesta sexta-feira, depois de ter operado em alta por boa parte da manhã, e ficou abaixo dos 5,43 reais na mínima do dia, com os investidores voltando a buscar ativos de risco em meio às perspectivas cada vez maiores de uma vitória de Joe Biden nas eleições dos Estados Unidos.

03/11/2009 REUTERS/Rick Wilking

O candidato democrata à presidência passou a ter vantagem sobre o presidente republicano Donald Trump na apuração dos votos nos Estados da Geórgia e da Pensilvânia nesta manhã, acumulando 253 votos contra 214 no Colégio Eleitoral que decide o vencedor da eleição.

Em Nevada, com 92% das urnas apuradas, o candidato democrata também estava na liderança, com 49,8% dos votos.

Biden, de 77 anos, se tornará o próximo presidente se vencer na Pensilvânia, ou se vencer em dois Estados do trio formado por Geórgia, Nevada e Arizona.

Às 14:29, o dólar recuava 1,85%, a 5,4430 reais na venda, tendo alcançado o patamar de 5,4274 na mínima do pregão, queda de 2,13% e seu menor nível desde 22 de setembro.

Mais cedo, na máxima do dia, o dólar havia saltado 1%, a 5,5751 reais.

A expectativa de vitória de Biden “exerce pressão baixista sobre o dólar porque uma presidência do democrata poderia ser positiva para o sentimento de risco global”, disse à Reuters Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos, destacando que “Biden passou Trump em Estados extremamente cruciais”.

Ao contrário dos polêmicos posicionamentos do atual presidente republicano nos últimos anos à frente da Casa Branca, “o comportamento (de Biden) não é errático, volátil e imprevisível”, o que poderia reduzir a busca por segurança na moeda norte-americana, acrescentou.

Os mercados mais amplos já haviam precificado que uma vitória de Biden seria positiva para mercados emergentes, principalmente devido à maior probabilidade de aprovação de estímulos fiscais e às perspectivas de uma política comercial mais aberta na maior economia do mundo.

Além disso, vários especialistas apontaram a liderança dos republicanos na corrida eleitoral pelo comando do Senado dos EUA como positiva em um cenário de provável vitória democrata na Casa Branca. Isso porque o equilíbrio no governo norte-americano evitaria a aprovação de maiores impostos ou restrições sobre as empresas do país.

Desde o fechamento da última sexta-feira a moeda norte-americana acumula queda de mais de 5%.

Na véspera, o dólar negociado no mercado interbancário fechou cotado a 5,5455 reais na venda, seu menor patamar para encerramento desde 9 de outubro. Com isso, em apenas dois dias a divisa perdeu mais de 3,7%, depois de ter fechado a terça-feira em 5,7609 reais.

No Brasil, continuava no radar a saúde das contas públicas, com os investidores à espera de uma indicação clara sobre se o governo respeitará ou não seu teto de gastos. A principal dúvida é sobre como um pacote de auxílio social seria financiado diante de um orçamento apertado para 2021.

Ao mesmo tempo, a agenda de reformas estruturais --considerada como essencial por boa parte dos mercados financeiros locais-- segue atrasada. “Sem reformas, somos perigosamente suscetíveis ao pior do que pode acontecer no caso de qualquer crise se agravar no mundo como a atual”, disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira que o debate da reforma administrativa deve começar na próxima semana.

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