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Volume de serviços do Brasil tem 4ª alta seguida em setembro, mas segue abaixo do nível pré-pandemia

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O volume do setor de serviços brasileiro cresceu em setembro pelo quarto mês seguido, mas ainda encontra dificuldades para recuperar as perdas acumuladas no ápice da pandemia de coronavírus.

Consumidores fazem compras em rua comercial do Rio de Janeiro 16/09/2020 REUTERS/Ricardo Moraes

No mês, o volume apresentou avanço de 1,8% na comparação com agosto, de acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado do setor, que tem importante peso sobre o Produto Interno Bruto do país, ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 1,1%.

Na comparação com setembro do ano anterior, houve recuo de 7,2% no volume de vendas, sétima taxa negativa seguida nessa base de comparação, contra expectativa de queda de 8,1%.

O volume de serviços apresentou perdas de 19,8% de fevereiro a maio devido principalmente às medidas de contenção da Covid-19, e vem agora buscando se recuperar conforme as restrições são levantadas.

Ainda assim, os ganhos acumulados entre junho e setembro chegam apenas a 13,4%, e volume de serviços ainda está 18,3% abaixo do recorde histórico, de novembro de 2014, e 8,0% abaixo de fevereiro de 2020.

Além disso, o setor que depende amplamente do contato presencial acumula contração no ano de 8,8%, tendo terminado o terceiro trimestre com alta de 8,6% sobre os três meses anteriores, após contrações de 15,5% e 2,9%, respectivamente nos segundo e primeiro trimestres.

“A dificuldade maior dos serviços em reagir se deve ao caráter presencial da prestação de serviços: hospedagem, turismo, bares, restaurantes e outros”, explicou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

No mês de setembro houve alta em quatro das cinco atividades pesquisadas. O setor de outros serviços teve avanço de 4,8% na comparação com o mês anterior, sendo o único a superar o nível pré-pandemia e chegando ao maior patamar desde outubro de 2014, como reflexo da alta nos serviços financeiros e auxiliares.

“As empresas nesse segmento vêm obtendo incrementos de receita desde o segundo semestre de 2018 em função da redução consistente da taxa Selic, que reduziu os ganhos com a poupança e levou os agentes econômicos a buscarem alternativas mais atraentes de investimentos, sejam de renda fixa ou variável”, disse Lobo.

“Empresas que atuam como intermediárias desse processo de captação recursos, tais como as corretoras de títulos e as administradoras de bolsas de valores, têm obtido ganhos expressivos de receita por conta da maior procura por ativos de maior rentabilidade”, completou.

Os serviços de informação e comunicação apresentaram alta no volume de 2,0% em setembro; enquanto serviços prestados às famílias subiram 9,0% e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio tiveram alta de 1,1%.

A única contração em setembro foi apresentada por serviços profissionais, administrativos e complementares, de 0,6%.

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central aponta que o mercado espera uma contração econômica este ano de 4,80%, com um crescimento de 3,31% em 2021.

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