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"Nas mãos de Deus": Furacão Iota assola América Central

PUERTO CABEZAS, Nicarágua (Reuters) - O furacão Iota arrancou telhados, derrubou postes de eletricidade e árvores e fez rios transbordarem ao se abater sobre o nordeste da Nicarágua nesta terça-feira, já tendo matado ao menos duas pessoas na América Central.

Enchente provocada pelo furacão Iota em Cartagena, na Colômbia 14/11/2020 LUIS GUILLERMO FERREBUS/via REUTERS

A tempestade mais intensa já registrada na Nicarágua chegou na noite de segunda-feira com ventos de quase 249 km/h, e foi o segundo furacão a atingir a América Central neste mês.

Até o início da tarde, os ventos haviam diminuído para 121 km/h e o Iota avançava terra adentro rumo ao sul de Honduras, informou o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC).

O porto de Puerto Cabezas, ainda parcialmente inundado e repleto de destroços da devastação causada pelo furacão Eta duas semanas atrás, voltou a arcar com a maior parte do impacto da tempestade. Moradores assustados se agrupavam em abrigos, temendo por suas vidas.

“Poderíamos morrer”, disse Inocencia Smith. “Não há nada para comer”, acrescentou ela, observando que as fazendas da área foram arrasadas pelo Eta, que matou dúzias de pessoas na região.

O vento arrancou o telhado de um hospital improvisado. Pacientes em tratamento intensivo e outros foram retirados, incluindo duas mulheres que deram à luz durante as primeiras chuvas da tempestade na segunda-feira, disse a vice-presidente, Rosario Murillo, em uma coletiva de imprensa.

Até a metade da manhã, o Iota estava cerca de 217 quilômetros a leste da capital hondurenha, Tegucigalpa, segundo o NHC. Segundo a previsão, ele diminuiria para uma tempestade tropical ainda nesta terça-feira à medida que atravessasse Honduras na direção de El Salvador.

“Estamos nas mãos de Deus. Se eu tiver que subir em árvores, farei isso”, disse Jaime Cabal, de 53 anos, agricultor na província de Izabal, no sudeste da Guatemala. Depois de levar sua família para um abrigo, ele ficou para proteger a casa e seus pertences.

“Não temos comida, mas vamos esperar aqui o furacão que estamos pedindo a Deus que impeça de vir”, disse.

(Por Wilmer Lopez, em Puerto Cabezas; Ismael Lopez, na Cidade do México; Gustavo Palencia, em Tegucigalpa; Sofia Menchu, na Cidade da Guatemala; Julia Symmes Cobb, em Bogotá; Emma Farge, em Genebra; e Elida Moreno, no Panamá)

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

REUTERS PF

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