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Presidente interino do Peru toma posse e pede calma após semana de protestos

LIMA (Reuters) - O parlamentar peruano Francisco Sagasti tomou posse como presidente interino do país nesta terça-feira, após ser escolhido pelo Congresso em uma tentativa de retorno à estabilidade em uma nação que viu protestos violentos e a saída de dois presidentes na última semana.

Cerimônia de posse de presidente interino do Peru, Francisco Segasti 17/11/2020 Luis Iparraguirre/Presidência/Divulgação via REUTERS

Sagasti, um legislador da legenda de centro Partido Roxo, deve cumprir seu mandato até julho do ano que vem, com uma nova eleição presidencial marcada para o dia 11 de abril.

O país andino está estremecido desde a derrubada abrupta do popular líder Martín Vizcarra em um processo de impeachment no dia 9 de novembro. A saída de Vizcarra, cuja agenda anticorrupção havia causado tensão no Congresso, levou a protestos muitas vezes violentos nos quais dois jovens foram mortos.

O sucessor de Vizcarra, Manuel Merino, renunciou no domingo após apenas cinco dias no poder.

“É absolutamente necessário manter a calma, mas não confundam isso com passividade, conformidade ou resignação”, disse Sagasti em um discurso ao Congresso após sua posse.

A indicação de Sagasti parece realmente ter acalmado as tensões, embora uma profunda desconfiança com os políticos do país permaneça. Na noite de segunda-feira, centenas de pessoas protestaram na capital Lima pedindo uma nova constituição e “Justiça para os que tombaram”.

“Eu acho que Sagasti é alguém que oferece garantias democráticas, que pode fazer uma transição a um novo governo que ficará bem”, disse uma manifestante chamada Paloma Carpio.

Sagasti, de 76 anos, um engenheiro ex-funcionário do Banco Mundial, ainda não indicou seu gabinete, mas disse que está disposto a incluir ministros do governo de Vizcarra, o que poderia abrir a porta para o retorno da ministra da Economia María Antonieta Alva, uma das principais estrelas do governo anterior.

“Se forem pessoas com experiência, integridade e vontade de trabalhar, eu acredito que faríamos errado se os deixarmos de lado”, disse Sagasti à rede local de televisão Canal N.

Sagasti é o quarto presidente do Peru em menos de três anos, após as saídas de Vizcarra e Merino, e a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski em 2018 após alegações de corrupção.

A moeda peruana reagiu positivamente às notícias, subindo 1,75% nesta terça-feira, maior alta diária em sete meses. Os títulos soberanos do país também apresentaram valorização.

O Peru, segundo maior produtor de cobre do mundo, foi atingido duramente neste ano pela pandemia de Covid-19, e deve reportar sua maior contração econômica anual em um século.

Reportagem adicional de Maria Cervantes

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