September 24, 2014 / 2:28 PM / in 4 years

Em discurso na ONU, Dilma exalta feitos do governo a dias das eleições

(Reuters) - A poucos dias das eleições, a presidente Dilma Rousseff aproveitou o seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira, para exaltar os feitos dos quase 12 anos de governo do PT e para voltar a culpar a crise internacional pelo baixo crescimento da economia brasileira.

Presidente Dilma Rousseff discursa na Assembleia-Geral da ONU na sede da organização em Nova York. 24/9/2014 REUTERS/Mike Segar

A candidata à reeleição abriu o discurso fazendo referência à proximidade das eleições e usou boa parte da fala de quase 24 minutos para enumerar as conquistas do Brasil desde 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência.

Dilma disse que a política econômica dos governos petistas foi responsável pela criação de 21 milhões de empregos e pelo aumento de 71 por cento do poder de compra do salário mínimo nos últimos 12 anos.

“Com isso, reduzimos a desigualdade”, disse, acrescentando que 36 milhões de brasileiros deixaram a miséria desde 2003, sendo 22 milhões somente no seu governo.

Dilma disse que as dificuldades persistentes em todas as regiões do mundo “impactam negativamente” o crescimento do Brasil, que entrou em recessão técnica no primeiro semestre deste ano.

“Ainda que tenhamos conseguido resistir às consequências mais danosas da crise global, ela também nos atingiu, de forma mais aguda, nos últimos anos”, disse.

A presidente assegurou ainda que o país não descuidou da solidez fiscal e da estabilidade monetária, protegendo-se da “volatilidade externa”.

Dilma tem sido alvo de críticas pela chamada “contabilidade criativa” adotada para alcançar as metas fiscais e pelo fato de a inflação estar no teto da meta —de 4,5 por cento ao anos com tolerância de dois pontos para cima e para baixo—, apesar de alguns preços administrados, como combustíveis, estarem represados.

GOVERNANÇA GLOBAL

A presidente fez ainda um novo apelo pela ampliação do poder de voto dos países em desenvolvimento em instituições financeiras, como Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, classificando como “inaceitável” a demora na mudança.

“É imperioso... pôr fim ao descompasso entra a crescente importância dos países em desenvolvimento na economia mundial e sua insuficiente participação nos processos decisórios das instituições financeiras internacionais, como Fundo Monetário e o Banco Mundial”, disse Dilma, em seu discurso de abertura da Assembleia Geral.

Segundo a presidente, essas instituições correm o risco de perder sua legitimidade e eficiência.

Dilma reiterou também a necessidade de se fazer a reforma do Conselho de Segurança da ONU, para ampliar a sua representatividade e torná-lo mais eficaz na resolução de conflitos espalhados pelo mundo.

Em sua fala, a presidente criticou a incapacidade do Conselho de encontrar soluções pacíficas para conflitos no mundo, como as guerras na Síria e no Iraque e o conflito no leste da Ucrânia.

Segundo Dilma, a comemoração de 70 anos da ONU em 2015 seria uma “ocasião propícia” para um avanço nesse processo.

“Estou certa de que todos entendemos os graves riscos da paralisa e da inação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Um conselho mais representativo e mais legítimo poderia ser também mais eficaz”, afirmou.

O Conselho de Segurança tem cinco membros permanentes e com poder de veto: Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e China, uma composição que reflete o equilíbrio de poder logo após a 2ª Guerra Mundial.

O Brasil, e outros países em emergentes, defendem a reforma do órgão da Organização das Nações Unidas de forma a representar melhor o novo cenário global.

Texto de Eduardo Simões

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