September 25, 2014 / 6:26 PM / in 3 years

Fatah e Hamas fecham acordo que passa controle de Gaza a governo de união

Por Shadi Bushra

CAIRO (Reuters) - Um governo de unidade vai assumir o controle da Faixa de Gaza, resultado de um avanço nas conversas entre as facções palestinas nesta quinta-feira que pode fortalecer a posição palestina nas negociações com Israel no mês que vem.

O cessar-fogo em Gaza, acordado em agosto entre israelenses e palestinos, pressupunha que a Autoridade Palestina, liderada pelo presidente Mahmoud Abbas, assumisse a administração civil em Gaza das mãos do movimento islamita Hamas.

Autoridades do Hamas e do Fatah, o movimento de Abbas, anunciaram o acordo nesta quinta-feira no Cairo, onde vinham se reunindo sob os auspícios dos serviços de inteligência do Egito.

O Hamas assumiu o poder em Gaza em 2007 depois de vencer uma eleição com larga vantagem e em meio a uma rivalidade amarga entre os islamitas e o Fatah que descambou em violência. Os dois lados estavam profundamente divididos desde então.

As facções concordaram com a formação de um governo de unidade nacional em maio, mas uma desavença sobre o atraso nos salários pagos pela Autoridade Palestina aos funcionários públicos de Gaza quase ocasionou um rompimento nas relações.

“Todos os servidores civis serão pagos pelo governo de unidade porque são todos palestinos, e este é o governo de todos os palestinos”, disse Azzam Ahmed, do Fatah, nesta quinta-feira.

Moussa Abu Marzouk, vice-líder do escritório político do Hamas, declarou que o controle das passagens de fronteira de Gaza, outro tema polêmico, será dividido com a Organização das Nações Unidas (ONU).

“A ONU fará um acordo com Israel e com o governo de unidade sobre como administrar as passagens”, afirmou.

O acordo postula que três mil membros das forças de segurança empregados pela Autoridade Palestina serão incorporados aos serviços de segurança de Gaza e encarregados de gerenciar as passagens de fronteira do território.

Marzouk disse que a passagem de Rafah, que faz fronteira com o Egito, não é parte do entendimento.

Ahmed, da Fatah, disse que as duas facções concordaram em “eliminar todos os obstáculos perante o governo de unidade nacional”.

Não houve comentários de imediato sobre o avanço em Israel, que comemora o feriado religioso do Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico.

Israel interrompeu as conversas com Abbas, mediadas pelos dos Estados Unidos, quando o acordo do governo de unidade foi anunciado em abril, e exortou o mundo a não reconhecer o novo governo.

As preocupações internacionais com a inclusão do Hamas em um governo palestino podem minar uma conferência de doadores, que o Egito deve sediar em 12 de outubro, para angariar fundos para a reconstrução de Gaza, que a Autoridade Palestina estimou em 7,8 bilhões de dólares – duas vezes e meia o Produto Interno Bruto (PIB) do enclave.

Ainda nesta quinta-feira, Ahmed afirmou que os palestinos pedirão para ser aceitos como membros de várias organizações da ONU, incluindo o Tribunal Penal Internacional, “para permitir ao nosso povo responsabilizar Israel pelos crimes de guerra que cometeu”.

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