September 29, 2014 / 11:54 AM / in 4 years

BC vê PIB crescendo menos neste ano, com inflação elevada

SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - Ao mesmo tempo em que vê a economia crescendo menos neste ano, o Banco Central manteve seu cenário de inflação pressionada e próxima do teto da meta oficial, indicando que não deve mudar a Selic tão cedo, mas acabou abrindo uma pequena fresta para nova alta dos juros básicos no futuro caso seja necessário.

Fachada da sede do Banco Central, em Brasília. 15/01/2014. REUTERS/Ueslei Marcelino

Ao apresentar o Relatório Trimestral de Inflação nesta segunda-feira, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton de Araújo, disse que, se o cenário de preços exigir, o BC voltará a subir a Selic, atualmente em 11 por cento ao ano.

“O Banco Central disse implicitamente e eu repeti explicitamente que isso (alta dos juros) não está descartado”, disse o diretor a jornalistas. “Se o cenário para a inflação exigir, a política monetária deve ser e será acionada tempestivamente”.

Para este ano, a autoridade monetária calcula que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro será de 0,7 por cento, ante 1,6 por cento calculado até então.

Uma das principais variáveis para essa piora foi a conta de investimento. Agora, o BC vê que a Formação Bruta de Capital Fixo vai recuar 6,5 por cento neste ano, sobre a queda de 2,4 por cento calculada antes, “consistente com os resultados do segundo trimestre e com o recuo dos índices de confiança nas sondagens do consumidor e da indústria”, explicou o BC.

Para a indústria, o BC vê agora retração de 1,6 por cento, ante 0,4 por cento.

Pelo Focus, os economistas consultados pelo BC veem que a economia brasileira como um todo avançará 0,29 por cento neste ano, acelerando a 1,01 por cento em 2015.

INFLAÇÃO

Para o IPCA, o BC reduziu ligeiramente sua projeção para este ano, com alta de 6,3 por cento pelo cenário de referência (Selic constante a 11 por cento e dólar a 2,25 reais), ante 6,4 por cento. A meta oficial é de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O BC vê ainda alta de 5,8 por cento do índice em 2015, um pouco acima da projeção anterior (5,7 por cento), recuando para 5 por cento no terceiro trimestre de 2016.

“O Comitê reafirma sua visão de que, mantidas as condições monetárias —isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária—, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção”, escreveu o BC no relatório, repetindo a visão que já havia sido colocada em ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e que levou boa parte dos especialistas a entender que a autoridade monetária não quer elevar a Selic para não prejudicar a economia.

Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada no dia 11 passado, o BC passou a ver que a inflação não é mais “resistente”, mantendo a visão no relatório divulgado agora. No Focus, a projeção dos agentes é de que o IPCA encerrará este ano a 6,31 por cento e 2015 a 6,30 por cento.

A aposta generalizada dos agentes econômicos é de que o BC não muda a taxa de juros pelo menos até o fim de 2014, como era precificado na curva de juros futuros neste pregão. Em 12 meses até agosto, último dado disponível, o IPCA havia estourado o teto do objetivo, com alta acumulada de 6,51 por cento.

“Apesar de a inflação ainda se encontrar elevada, pressões inflacionárias ora presentes na economia... tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotar ao longo do horizonte relevante para a política monetária. Em prazos mais curtos, some-se a isso o deslocamento do hiato do produto para o campo desinflacionário”, afirmou o BC pelo relatório.

As estimativas para a inflação da autoridade monetária levam em conta alta de 5 por cento dos preços administrados em 2014 (mesma previsão do relatório anterior) e de 6 por cento para

2015.

Diante da recente valorização do dólar —que até a sexta-feira passada chegou a 8 por cento neste mês—, o diretor do BC indicou que a política monetária será acionada caso haja reflexos na inflação. Ao ser questionado sobre o impacto do câmbio, o diretor afirmou:

“Estamos atentos, está explícito na nossa comunicação o que não consideramos e o que pode ser contemplado pelo Copom. Se o cenário da inflação exigir, a política monetária será acionada tempestivamente”.

O diretor disse que a projeção para a inflação de 2014 considera que a política fiscal será neutra. Ele, no entanto, adiantou que essa hipótese não deverá se confirmar.

“Nossa hipótese é de neutralidade da política fiscal para 2014. E as evidências apontam que essa hipótese não se confirmará”, afirmou.

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