October 8, 2014 / 12:32 PM / 4 years ago

Dois norte-americanos e um alemão ganham Nobel de Química por avanço em microscopia

ESTOCOLMO (Reuters) - Um cientista alemão e dois norte-americanos venceram nesta quarta-feira o prêmio Nobel de Química de 2014 por terem quebrado uma barreira na capacidade de observação de microscópios ópticos, permitindo aos pesquisadores observarem moléculas específicas dentro de células vivas.

Tela mostrando os nomes e fotos dos ganhadores do Nobel de Química de 2014 em anúncio do prêmio na Real Academia de Ciências da Suécia, em Estocolmo. 08/10/2014 REUTERS/Bertil Ericson/Agência TT

Os norte-americanos Eric Betzi e William Moerner e o alemão Stefan Hell ganharam o prêmio por terem usado a fluorescência para levar a microscopia a um nível inovador, tornando possível o estudo em tempo real de fenômenos como sinapses em células cerebrais.

“O seu trabalho inovador levou a microscopia óptica para a nanodimensão”, disse a Academia Real de Ciências sueca, que concede a premiação de 8 milhões de coroas suecas (1,1 milhão de dólares).

Em 1873, cientistas chegaram a acreditar que existiria um limite para o que poderia ser observado quando Ernst Abbe estipulou que a resolução do microscópio óptico não poderia nunca exceder os 0,2 micrômetros, ou 500 vezes menos do que a espessura de um cabelo humano.

Mas os três vencedores do Nobel ultrapassaram esse limite ao examinarem moléculas fluorescentes para elaborar imagens muito mais detalhadas, liderando a criação da “nanoscopia”, hoje amplamente utilizada para observar o funcionamento molecular interno de células vivas.

Os microscópios modernos em nanoescala podem seguir proteínas individualmente para melhor compreender doenças como Alzheimer e Parkinson, ou acompanhar o desenvolvimento de óvulos fertilizados à medida que se dividem e tornam-se embriões.

“Isso é muito, muito importante para entender como a célula funciona e entender o que dá errado se a célula é doente”, disse Hell em uma coletiva de imprensa por telefone após tomar conhecimento da premiação.

Hell, que é diretor do Instituto Max Planck para Química Biofísica na Alemanha, disse ter ficado “totalmente surpreso” com o prêmio, enquanto o também vencedor Betzig afirmou ter ficado chocado com a notícia.

“Estou há uma hora caminhando para cima e para baixo atordoado, em um belo dia em Munique, temeroso de que minha vida tenha mudado”, disse ele à Reuters por telefone a partir de Munique, onde tem uma aula marcada para esta quarta-feira.

Betzig trabalha no Instituto Médico Howard Hughes em Ashburn, nos Estados Unidos, enquanto Moerner é professor na Universidade Stanford.

O Nobel de Química foi o terceiro deste ano, depois dos de Medicina e Física. O prêmio leva o nome do inventor da dinamite Alfred Nobel e é concedido desde 1901 para realizações na ciência, literatura e busca da paz, de acordo com o estipulado por ele em seu testamento.

O prêmio de química tem sido ofuscado pelo de física, com seus famosos cientistas premiados tais como Albert Einstein, embora possa ser considerado o campo mais próximo do trabalho do próprio Nobel no desenvolvimento da dinamite e outros explosivos.

Como vencedores do prêmio de química, os laureados entram em um seleto clube de pesquisadores tais como o pioneiro dos estudos nucleares Ernest Rutherford e Linus Pauling, a única pessoa a vencer sozinho dois Nobels - o de química em 1954 e o da paz em 1962.

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