October 15, 2014 / 10:54 PM / 4 years ago

HRT prevê investimentos de US$75 mi em Polvo em até 9 meses, diz diretor

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A petroleira brasileira HRT prevê investir 75 milhões de dólares em até nove meses no campo de Polvo, na Bacia de Campos, o que inclui gastos em manutenção de equipamentos e na perfuração de dois poços com uma sonda própria, afirmou nesta quarta-feira o diretor financeiro da petroleira, Ricardo Bottas.

A HRT financiará os investimentos com recursos obtidos no mercado, usando o óleo de Polvo como garantia.

“É possível que a gente consiga usar o próprio óleo para financiar esse desenvolvimento do campo de Polvo, é possível financiamento baseado em óleo para pagamento”, afirmou Bottas em entrevista.

Em setembro, o presidente da companhia, Milton Franke, havia adiantado à Reuters tal possibilidade.

“O campo de Polvo é autossustentável inclusive no seu desenvolvimento”, acrescentou o diretor financeiro, após a reportagem visitar nesta quarta-feira a plataforma que opera no local.

Os investimentos em Polvo, o único ativo que produz petróleo da companhia, devem estender a vida útil do campo em até dois anos, para até 2019, afirmou o executivo.

Em junho, Polvo estava produzindo 10,09 mil barris de óleo/dia.

Os executivos da HRT evitam informar expectativas de aumento da produção de Polvo.

Segundo Bottas, a empresa já foi penalizada antes por dar expectativas ao mercado sem fatores mais concretos.

PERFURAÇÕES

A empresa, segundo Bottas, apenas iniciará as perfurações dos dois poços planejados em Polvo após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovar a compra de participação de 40 por cento da Maersk no bloco.

Após a conclusão da compra, a HRT terá 100 por cento do ativo. Os valores da transação ainda são guardados em sigilo.

Além disso, a empresa necessita da aprovação de um novo plano de desenvolvimento da área pela ANP —a proposta ainda não foi apresentada. As etapas necessárias, na avaliação do executivo, não vão demorar muito para serem concluídas.

Isso porque a empresa espera para “logo” a aprovação da negociação, e a ANP, segundo Bottas, já vinha cobrando da antiga operadora da área (a BP) um novo plano de desenvolvimento para Polvo, assumido no início do ano pela HRT.

A plataforma fixa de Polvo contém uma sonda de perfuração acoplada, capaz realizar perfuração de poços horizontais que podem chegar até sete quilômetros de distância.

Entretanto, desde quando a BP assumiu o ativo, em 2010, não foi realizada nenhuma perfuração. Por isso, a sonda terá que passar por manutenções que devem custar cerca de 7 milhões de dólares, segundo explicou Franke.

A operadora do campo antes da BP, a Devon, realizou um total de 36 poços, entre 2007 e 2009, sendo 15 poços exploratórios e de extensão e 17 poços de desenvolvimento. Atualmente, há dez poços horizontais em produção e um injetor.

O ativo chegou a produzir um pico de 24 mil barris/dia entre 2008 e 2009, afirmou o gerente de Polvo, Luiz Monteiro.

Toda a produção dos poços é enviada da plataforma para um navio flutuante, que pertence à BW Offshore e tem capacidade de armazenamento de 1 milhão de barris.

CORTE DE GASTOS

Em meio a um processo de redução de custos, em curso há algum tempo, a petroleira vai se mudar para um novo escritório no próximo mês.

Além disso, até o fim do ano, a holding terá um total de 100 funcionários próprios e cerca de 200 terceirizados.

“Vamos ter no máximo 100 pessoas, (o escritório no Rio ocupará) um andar só, em Botafogo, e não mais na Avenida Atlântica, gastando 50 por cento menos”, afirmou.

No fim de 2011, quando a HRT tinha quatro sondas em operação no Solimões e estava iniciando a campanha exploratória na Namíbia, a empresa chegou a ter 600 funcionários próprios.

De acordo com o presidente, Milton Franke, os terceirizados, há cerca de três anos, provavelmente somavam 2 mil pessoas.

A HRT busca ainda compradores para cinco helicópteros pesados, usados para o transporte de sondas, avaliados entre 4 e 5 milhões de dólares, cada.

Bottas frisou que a empresa está redimensionada para sua atual operação e, como exemplo, destacou que ele e Franke recebem hoje, em média, 45 por cento menos que os seus antecessores.

A queda do preço do petróleo não afetou a companhia, na média do ano, segundo Bottas. Duas cargas foram realizadas até meados do ano e uma terceira em setembro.

Uma quarta carga ainda não tem data prevista, devido a questões que precisam ser definidas com a saída da Maersk.

POSSÍVEIS AQUISIÇÕES

Bottas reiterou que a empresa busca adquirir novos ativos em produção na Bacia de Campos e que não fará novos investimentos em exploração na Namíbia, África, onde busca parcerias, e na Bacia do Solimões, no Amazonas.

A empresa chegou a gastar 2 bilhões de reais com investimentos em sísmica e perfurações na Namíbia e no Solimões.

“Há muitos ativos à venda”, disse Bottas, referindo-se ao interesse da companhia por aquisições.

Segundo ele, a empresa já está em negociações para aquisição, mas ele preferiu não dar quaisquer detalhes.

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