October 16, 2014 / 9:23 PM / in 4 years

Enfermeira dos EUA com Ebola é transferida de hospital; autoridades sofrem críticas

DALLAS (Reuters) - Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) informaram que irão assumir os cuidados da primeira enfermeira do Estado do Texas diagnosticada com Ebola, e congressistas criticaram a reação do governo ao vírus no país.

Diretor do CDC, Thomas Frieden, durante audiência no Congresso em Washington. REUTERS/Jonathan Ernst

Nina Pham, a primeira enfermeira a contrair o Ebola depois de tratar de um homem que morreu da doença, será transferida no final desta quinta-feira de Dallas para uma unidade de isolamento do NIH, localizado nos arredores de Washington, para tratamento, declarou o doutor Anthony Fauci aos legisladores em uma audiência do Congresso sobre a maneira como o governo está lidando com a febre hemorrágica no território norte-americano.

“Iremos lhe proporcionar cuidados de última geração em nossas instalações de contenção de alto nível”, afirmou Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas do NIH.

Ele anunciou a decisão de transferir Pham, cuja condição é estável, no momento em que os congressistas repreendiam as autoridades por sua resposta ao Ebola no país e pelas falhas nos esforços para deter sua disseminação em suas fronteiras.

Pham era parte da equipe de agentes de saúde que cuidaram do liberiano Thomas Eric Duncan, o primeiro paciente diagnosticado com Ebola nos Estados Unidos e que faleceu no dia 8 de outubro.

O doutor Daniel Varga, clínico-chefe e vice-presidente sênior da rede hospitalar Texas Health Resources, declarou na audiência que foram cometidos erros no diagnóstico de Duncan e no fornecimento de informações ao público, e que “lamentava profundamente”.

Ele disse não ter havido treinamento de pessoal para o Ebola antes da internação do primeiro paciente. A Texas Health administra hospitais e instalações de saúde no norte do Texas, inclusive aquela na qual Duncan foi tratado.

O doutor Thomas Frieden, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) em Atlanta, é o médico mais graduado supervisionando a reação dos EUA ao Ebola e tem recebido críticas duras e pedidos de renúncia pelos lapsos na contenção da doença em solo norte-americano.

Em seu testemunho ao conselho de supervisão do Congresso, ele ressaltou haver muito medo em relação ao vírus, que já matou quase 4.500 pessoas em Serra Leoa, Libéria e Guiné este ano.

“Como diretor do CDC, uma das coisas que temo no tocante ao Ebola é que ele pode se propagar ainda mais amplamente na África. Se isso acontecesse, poderia se tornar uma ameaça ao nosso sistema de saúde e ao tratamento que oferecemos durante muito tempo”, afirmou Frieden.

A transmissão do Ebola para Pham e Amber Vinson – outra enfermeira de Dallas que cuidou de Duncan no hospital Texas Health Presbyterian – e revelações de que Vinson viajou de avião ligeiramente febril levaram Frieden a voltar atrás em comentários anteriores sobre sua confiança na capacidade das autoridades de saúde dos EUA para conter a doença.

“Seria um eufemismo dizer que a reação ao primeiro paciente com Ebola no país foi incompetente, causando risco a dezenas de pessoas a mais”, afirmou a congressista Diana DeGette, principal democrata no subcomitê congressional de Energia e Comércio, que realizou a audiência.

Pelo menos dois parlamentares pediram a renúncia de Frieden. Outros, inclusive o presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, exortaram a adoção de restrições de viagens aos países do oeste africano mais atingidos pelo Ebola.

ESCOLAS FECHADAS

Em Ohio, onde Amber Vinson visitou familiares, duas escolas de Solon, no subúrbio da cidade de Cleveland, foram fechadas nesta quinta-feira porque um funcionário pode ter viajado no mesmo avião da enfermeira, embora em um voo diferente, e três escolas texanas adotaram a mesma medida porque dois alunos estavam no mesmo voo.

A empresa áerea, Frontier Airlines, informou ter dado licença a seis tripulantes “por excesso de cautela”.

O departamento de saúde de Ohio declarou que o CDC está enviando pessoal para ajudar a coordenar as ações para conter a propagação do vírus.

Frieden afirmou ser improvável que passageiros que viajaram com Vinson tenham sido infectados, porque ela não vomitou nem sangrou durante o voo, mas que ela não deveria ter embarcado.

Reportagem adicional de Susan Heavey, em Washington; de Jon Herskovitz, em Austin; de Colleen Jenkins, na Carolina do Norte

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